UFRN/EMCM - Escola Multicampi de Ciências Médicas (RN) — Prova 2020
Mulher, 30 anos, Gesta 4 Para 3 Aborto 1, com quadro de dor no baixo ventre há 4 dias, que piorou nas últimas 24 horas, acompanhando-se de febre e mal estar geral. Nega queixas urinárias e intestinais. Ao exame: regular estado geral, febril (39 °C), FC 110 bpm, PA 110 x 85 mmHg. Abdome doloroso à palpação no andar inferior, sem sinais de irritação peritoneal. Exame ginecológico: presença de leucorreia purulenta e de dor à mobilização do colo uterino e à palpação do útero e anexos, com presença de massa anexial palpável em fossa ilíaca direita de aproximadamente 7 cm. Hemograma com leucocitose e desvio à esquerda. Ultrassonografia transvaginal demonstra formação anexial direita, septada, com debris no interior. A conduta imediata indicada é:
DIP com massa anexial > 7cm, febre e leucocitose → Abscesso Tubo-Ovariano = Internação + ATB parenteral.
A presença de massa anexial palpável (>7cm), febre alta, taquicardia e leucocitose com desvio à esquerda em um quadro de DIP sugere abscesso tubo-ovariano (ATO), uma complicação grave que exige internação e antibioticoterapia parenteral para evitar ruptura e sepse.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma infecção do trato genital superior feminino, incluindo útero, tubas uterinas e ovários, frequentemente causada por infecções sexualmente transmissíveis. É uma condição comum em mulheres jovens e sexualmente ativas, com alta morbidade se não tratada adequadamente, podendo levar a dor pélvica crônica, infertilidade e gravidez ectópica. A suspeita clínica surge com dor abdominal inferior, dor à mobilização do colo, dor anexial e leucorreia. O diagnóstico da DIP é predominantemente clínico, mas exames laboratoriais (leucocitose, VHS/PCR elevados) e de imagem (ultrassonografia transvaginal) auxiliam na confirmação e identificação de complicações. A presença de uma massa anexial, como um abscesso tubo-ovariano (ATO), indica um quadro mais grave. O ATO é uma coleção purulenta que se forma nas tubas e ovários, geralmente como complicação de DIP não tratada ou tratada inadequadamente. A conduta para DIP varia conforme a gravidade. Casos leves podem ser tratados ambulatorialmente com antibióticos orais. No entanto, a presença de abscesso tubo-ovariano, febre alta, sinais de sepse ou falha da terapia oral são indicações claras para internação hospitalar e antibioticoterapia parenteral de amplo espectro, cobrindo patógenos aeróbios e anaeróbios. A drenagem cirúrgica pode ser necessária em casos de abscessos grandes ou que não respondem ao tratamento clínico.
Os critérios incluem suspeita de abscesso tubo-ovariano, gravidez, falha na terapia oral, intolerância à terapia oral, doença grave (febre alta, náuseas/vômitos), imunodeficiência e incerteza diagnóstica.
A via parenteral garante níveis séricos e teciduais adequados de antibióticos para combater infecções graves e polimicrobianas, comuns em abscessos, além de permitir monitoramento rigoroso do paciente internado.
A ultrassonografia transvaginal pode revelar uma massa anexial complexa, septada, com debris internos, espessamento das tubas uterinas e líquido livre na pelve, indicando processo inflamatório e formação de abscesso.
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