Abscesso Tubo-Ovariano: Manejo Clínico e Cirúrgico

IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2020

Enunciado

Um paciente de 30 anos chega à emergência referindo febre, calafrios e dor pélvica de forte intensidade, com piora progressiva nas últimas 24h. Refere vida sexual ativa e uso de contraceptivo hormonal oral. Ao exame, a paciente apresenta dor importante ao toque vaginal, com presença de lesão em fossa ilíaca esquerda, confirmada como massa heterogênea ao ultrassom transvaginal. Assinale qual é a melhor conduta para a paciente.

Alternativas

  1. A) Indicar laparotomia após 4 horas do início do antibiótico.
  2. B) A laparoscopia é a melhor via de abordagem dos abscessos pélvicos.
  3. C) Drenar o abscesso por colpotomia, junto com o início do uso do antibiótico.
  4. D) Iniciar imediatamente com antibiótico e observar a resposta clínica em 48 horas.
  5. E) Fazer punção da massa guiada por ultrassom e, se confirmado o diagnóstico, iniciar antibiótico.

Pérola Clínica

Abscesso tubo-ovariano (ATO) → Iniciar ATB empírico e observar resposta clínica por 48-72h antes de considerar cirurgia.

Resumo-Chave

O tratamento inicial para abscesso tubo-ovariano (ATO) não roto é sempre clínico, com antibioticoterapia de amplo espectro. A maioria dos casos responde bem aos antibióticos, e a cirurgia (drenagem ou ressecção) é reservada para falha do tratamento clínico, ruptura do abscesso ou piora do quadro.

Contexto Educacional

O abscesso tubo-ovariano (ATO) é uma complicação grave da Doença Inflamatória Pélvica (DIP), caracterizado pela formação de uma massa inflamatória e purulenta envolvendo a tuba uterina e o ovário. A DIP é uma infecção ascendente do trato genital feminino superior, geralmente polimicrobiana, com Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae sendo patógenos comuns, mas também envolvendo bactérias entéricas e anaeróbias. O diagnóstico é clínico, com suporte de exames de imagem como a ultrassonografia transvaginal. A conduta inicial para o ATO não roto é sempre conservadora, baseada em antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro. A maioria das pacientes (70-80%) responde bem ao tratamento clínico em 48-72 horas, com melhora da febre, dor e redução da massa. A observação rigorosa da resposta clínica é fundamental, e a transição para antibióticos orais pode ser feita após melhora. A intervenção cirúrgica, seja por laparoscopia ou laparotomia, é reservada para casos de falha do tratamento clínico, ruptura do abscesso, abscesso de grande volume ou quando há incerteza diagnóstica. A drenagem percutânea guiada por imagem pode ser uma alternativa em casos selecionados. O residente deve dominar o manejo clínico e saber identificar os critérios para indicação cirúrgica, visando preservar a fertilidade da paciente sempre que possível.

Perguntas Frequentes

Qual a antibioticoterapia inicial recomendada para abscesso tubo-ovariano?

A antibioticoterapia inicial deve ser de amplo espectro, cobrindo anaeróbios, Gram-negativos e Gram-positivos. Esquemas comuns incluem Clindamicina + Gentamicina, ou Cefoxitina + Doxiciclina, ou Piperacilina/Tazobactam, administrados por via intravenosa.

Quando a intervenção cirúrgica é indicada para abscesso tubo-ovariano?

A cirurgia é indicada em casos de falha do tratamento clínico após 48-72 horas, ruptura do abscesso, piora do quadro clínico, abscesso de grande volume (> 8-10 cm) ou quando há suspeita de outra patologia cirúrgica associada.

Quais são os principais fatores de risco para Doença Inflamatória Pélvica (DIP) e abscesso tubo-ovariano?

Os principais fatores de risco incluem múltiplos parceiros sexuais, história prévia de DIP, infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), uso de DIU (especialmente nos primeiros meses), e procedimentos intrauterinos. O uso de contraceptivo hormonal oral não protege contra ISTs, mas pode mascarar sintomas.

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