IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2020
Um paciente de 30 anos chega à emergência referindo febre, calafrios e dor pélvica de forte intensidade, com piora progressiva nas últimas 24h. Refere vida sexual ativa e uso de contraceptivo hormonal oral. Ao exame, a paciente apresenta dor importante ao toque vaginal, com presença de lesão em fossa ilíaca esquerda, confirmada como massa heterogênea ao ultrassom transvaginal. Assinale qual é a melhor conduta para a paciente.
Abscesso tubo-ovariano (ATO) → Iniciar ATB empírico e observar resposta clínica por 48-72h antes de considerar cirurgia.
O tratamento inicial para abscesso tubo-ovariano (ATO) não roto é sempre clínico, com antibioticoterapia de amplo espectro. A maioria dos casos responde bem aos antibióticos, e a cirurgia (drenagem ou ressecção) é reservada para falha do tratamento clínico, ruptura do abscesso ou piora do quadro.
O abscesso tubo-ovariano (ATO) é uma complicação grave da Doença Inflamatória Pélvica (DIP), caracterizado pela formação de uma massa inflamatória e purulenta envolvendo a tuba uterina e o ovário. A DIP é uma infecção ascendente do trato genital feminino superior, geralmente polimicrobiana, com Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae sendo patógenos comuns, mas também envolvendo bactérias entéricas e anaeróbias. O diagnóstico é clínico, com suporte de exames de imagem como a ultrassonografia transvaginal. A conduta inicial para o ATO não roto é sempre conservadora, baseada em antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro. A maioria das pacientes (70-80%) responde bem ao tratamento clínico em 48-72 horas, com melhora da febre, dor e redução da massa. A observação rigorosa da resposta clínica é fundamental, e a transição para antibióticos orais pode ser feita após melhora. A intervenção cirúrgica, seja por laparoscopia ou laparotomia, é reservada para casos de falha do tratamento clínico, ruptura do abscesso, abscesso de grande volume ou quando há incerteza diagnóstica. A drenagem percutânea guiada por imagem pode ser uma alternativa em casos selecionados. O residente deve dominar o manejo clínico e saber identificar os critérios para indicação cirúrgica, visando preservar a fertilidade da paciente sempre que possível.
A antibioticoterapia inicial deve ser de amplo espectro, cobrindo anaeróbios, Gram-negativos e Gram-positivos. Esquemas comuns incluem Clindamicina + Gentamicina, ou Cefoxitina + Doxiciclina, ou Piperacilina/Tazobactam, administrados por via intravenosa.
A cirurgia é indicada em casos de falha do tratamento clínico após 48-72 horas, ruptura do abscesso, piora do quadro clínico, abscesso de grande volume (> 8-10 cm) ou quando há suspeita de outra patologia cirúrgica associada.
Os principais fatores de risco incluem múltiplos parceiros sexuais, história prévia de DIP, infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), uso de DIU (especialmente nos primeiros meses), e procedimentos intrauterinos. O uso de contraceptivo hormonal oral não protege contra ISTs, mas pode mascarar sintomas.
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