Abscesso Tubo-Ovariano: Manejo e Conduta Hospitalar

IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2020

Enunciado

Uma jovem de 20 anos, com atividade sexual habitual, refere febre de 38°C e dor pélvica intensa há 2 dias. Ao toque, identificaram-se vagina hipertérmica, colo doloroso à mobilização, massa pélvica cística e dolorosa na região anexial direita. A ultrassonografia transvaginal revelou imagem sugestiva de abscesso tubo-ovariano medindo 6cm à direita. A conduta adequada compreende:

Alternativas

  1. A) antibioticoterapia de amplo espectro ambulatorialmente e reavaliação em 3 dias
  2. B) antibioticoterapia de amplo espectro intravenosa hospitalar e observação por 48 horas
  3. C) aspiração via transabdominal guiada por ultrassonografia seguida de antibioticoterapia de amplo espectro
  4. D) aspiração via transvaginal guiada por ultrassonografia seguida de antibioticoterapia de amplo espectro
  5. E) antibioticoterapia de amplo espectro intravenosa hospitalar e exploração cirúrgica imediata

Pérola Clínica

Abscesso tubo-ovariano (ATO) > 4cm ou com sinais de gravidade → Internação + ATB IV amplo espectro e observação.

Resumo-Chave

Abscessos tubo-ovarianos, especialmente quando maiores ou associados a quadros clínicos mais graves (febre, dor intensa, sinais de peritonite), requerem internação hospitalar e antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro. A observação inicial é crucial para avaliar a resposta ao tratamento clínico antes de considerar intervenções invasivas.

Contexto Educacional

O abscesso tubo-ovariano (ATO) é uma complicação grave da Doença Inflamatória Pélvica (DIP), caracterizado pela formação de uma massa inflamatória e purulenta envolvendo a tuba uterina e o ovário. É mais comum em mulheres jovens, sexualmente ativas, e sua incidência está diretamente ligada à prevalência de infecções sexualmente transmissíveis. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para preservar a fertilidade e evitar complicações sérias. O diagnóstico do ATO baseia-se na história clínica (dor pélvica, febre, dispareunia), exame físico (dor à mobilização do colo, massa anexial) e exames de imagem, principalmente a ultrassonografia transvaginal, que revela uma massa anexial complexa, cística ou sólida. Deve-se suspeitar de ATO em pacientes com DIP que não respondem ao tratamento ambulatorial ou que apresentam sinais de gravidade. A conduta inicial para ATOs, especialmente os maiores que 4-5 cm ou com sinais de gravidade (febre alta, dor intensa, leucocitose acentuada), é a internação hospitalar e antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro, cobrindo anaeróbios e bactérias gram-negativas e gram-positivas. A maioria dos pacientes responde bem ao tratamento clínico. A drenagem percutânea ou cirurgia é reservada para casos de falha terapêutica, ruptura do abscesso ou abscessos muito grandes.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de um abscesso tubo-ovariano?

Os sinais incluem dor pélvica intensa, febre, corrimento vaginal, dispareunia e massa anexial dolorosa ao exame físico. Pode haver também náuseas e vômitos.

Qual a conduta inicial para um abscesso tubo-ovariano?

A conduta inicial para abscessos maiores ou com quadro grave é internação hospitalar e antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro, com reavaliação em 48-72 horas para monitorar a resposta clínica.

Quando a drenagem ou cirurgia é indicada para abscesso tubo-ovariano?

A drenagem (transvaginal ou transabdominal) ou cirurgia é considerada se não houver melhora clínica após 48-72 horas de antibioticoterapia IV, em casos de ruptura do abscesso ou se o abscesso for muito grande, geralmente acima de 9-10 cm.

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