Abscesso Tubo-Ovariano: Diagnóstico e Tratamento Urgente

UNIRG - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2020

Enunciado

Mulher de 40 anos chega ao pronto-socorro com queixa de dor hipogástrica iniciada logo após a menstruação, associada a corrimento fétido e dispareunia profunda. Ao exame físico, verifica-se colo com muco turvo, sangramento ao toque e dor à mobilização do colo e anexos. A ultrassonografia mostra imagem em topografia de anexo direito, anecóica, com debris em seu interior e maior diâmetro de 4,0 cm. Diante deste quadro, a hipótese diagnóstica e o tratamento inicial são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) corpo lúteo hemorrágico - anti-inflamatório e controle ultrassonográfico.
  2. B) endometriose - dienogeste contínuo.
  3. C) apendicite - laparotomia exploradora.
  4. D) abcesso tubo-ovariano - clindamicina associada a gentamicina.

Pérola Clínica

Dor hipogástrica pós-menstruação, corrimento fétido, dispareunia, dor à mobilização colo/anexos + USG massa anexial com debris → Abscesso tubo-ovariano = Clindamicina + Gentamicina.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor pélvica, corrimento fétido, dispareunia profunda, dor à mobilização do colo e anexos, associado a uma massa anexial com debris na ultrassonografia, é altamente sugestivo de abscesso tubo-ovariano, uma complicação grave da Doença Inflamatória Pélvica (DIP). O tratamento inicial é com antibióticos de amplo espectro, como clindamicina e gentamicina.

Contexto Educacional

O abscesso tubo-ovariano (ATO) é uma complicação grave da Doença Inflamatória Pélvica (DIP), que é uma infecção do trato genital superior feminino, incluindo útero, tubas uterinas e ovários. Geralmente, é uma infecção polimicrobiana, ascendente, que ocorre mais frequentemente em mulheres jovens e sexualmente ativas. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são cruciais para evitar morbidade significativa, incluindo infertilidade e sepse. O quadro clínico do ATO é caracterizado por dor pélvica intensa, febre, corrimento vaginal fétido, dispareunia profunda e dor à mobilização do colo e anexos ao exame físico. A história de dor pós-menstruação é comum, pois a menstruação pode facilitar a ascensão bacteriana. A ultrassonografia pélvica é o exame de imagem de escolha para confirmar a presença de uma massa anexial complexa, com conteúdo anecóico e debris, sugestiva de abscesso. O tratamento inicial do abscesso tubo-ovariano é tipicamente com antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro, visando cobrir aeróbios e anaeróbios. A combinação de clindamicina (para anaeróbios e alguns gram-positivos) e gentamicina (para gram-negativos) é um regime padrão e eficaz. Em casos de falha do tratamento clínico, abscesso muito grande ou ruptura, a drenagem cirúrgica pode ser necessária. O manejo adequado é fundamental para preservar a fertilidade e evitar complicações fatais.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Doença Inflamatória Pélvica (DIP) e abscesso tubo-ovariano?

Os critérios mínimos para DIP incluem dor pélvica, dor à mobilização do colo e dor à palpação anexial. Critérios adicionais como febre, corrimento cervical purulento e massa anexial (no caso de abscesso tubo-ovariano) aumentam a especificidade diagnóstica. A ultrassonografia é fundamental para identificar o abscesso.

Por que a combinação de clindamicina e gentamicina é indicada para abscesso tubo-ovariano?

Essa combinação oferece cobertura de amplo espectro para os patógenos mais comuns na DIP e abscesso tubo-ovariano, incluindo anaeróbios (cobertos pela clindamicina) e gram-negativos (cobertos pela gentamicina), que são frequentemente polimicrobianos.

Quais são as complicações de um abscesso tubo-ovariano não tratado?

Um abscesso tubo-ovariano não tratado pode levar a complicações graves como ruptura do abscesso com peritonite generalizada e sepse, infertilidade, dor pélvica crônica e gravidez ectópica devido à lesão das tubas uterinas.

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