Abscesso Tubo-Ovariano: Manejo e Tratamento Inicial

Santa Casa de Ourinhos (SP) — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 23 anos dá entrada na emergência com queixa de dor em fossa ilíaca direita de início insidioso com piora nas últimas horas. Não utiliza método anticoncepcional e refere ciclos menstruais regulares, com última menstruação há 14 dias. Submetida a ultrassom que sugeriu abscesso tubo-ovariano de 4,5 cm de diâmetro. Ao exame físico apresenta pressão arterial de 110 x 70 mmHg, pulso de 98 bpm, abdome doloroso com descompressão brusca negativa, afebril. A MELHOR alternativa no momento é:

Alternativas

  1. A) Antibioticoterapia via oral, internação mínima de 24 horas, reavaliar em 48 horas.
  2. B) Antibioticoterapia endovenosa e cirurgia imediata.
  3. C) Anti-inflamatórios via endovenosa, internação mínima de 24 horas, reavaliar em 48 horas.
  4. D) Antibioticoterapia endovenosa, internação mínima de 24 horas, reavaliar em 48 horas.

Pérola Clínica

Abscesso tubo-ovariano sem peritonite → ATB IV, internação, reavaliação 48h.

Resumo-Chave

Abscessos tubo-ovarianos menores que 9 cm e sem sinais de ruptura ou peritonite podem ser tratados inicialmente com antibioticoterapia endovenosa. A internação e reavaliação clínica e laboratorial em 48-72 horas são cruciais para monitorar a resposta ao tratamento e decidir sobre a necessidade de intervenção cirúrgica.

Contexto Educacional

O abscesso tubo-ovariano (ATO) é uma complicação grave da doença inflamatória pélvica (DIP), caracterizado pela formação de uma massa inflamatória envolvendo trompa, ovário e estruturas adjacentes. Sua incidência está diretamente ligada à DIP, sendo mais comum em mulheres jovens e sexualmente ativas. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para preservar a fertilidade e evitar complicações sérias como a ruptura. O diagnóstico é baseado na clínica (dor pélvica, febre, leucocitose), exame físico (dor à mobilização do colo, massa anexial) e confirmado por exames de imagem, como o ultrassom transvaginal, que define o tamanho e características do abscesso. A suspeita deve ser alta em pacientes com fatores de risco para DIP e dor em fossa ilíaca. O tratamento inicial para ATO não roto e sem sinais de sepse ou peritonite é conservador, com antibioticoterapia de amplo espectro por via endovenosa, cobrindo anaeróbios, gram-negativos e gram-positivos. A internação é mandatória para monitoramento e reavaliação da resposta clínica em 48-72 horas. A falha do tratamento clínico ou sinais de ruptura/sepse indicam a necessidade de intervenção cirúrgica.

Perguntas Frequentes

Qual a conduta inicial para abscesso tubo-ovariano não roto?

A conduta inicial para abscesso tubo-ovariano não roto, sem sinais de peritonite generalizada, é a antibioticoterapia endovenosa, internação e reavaliação em 48-72 horas.

Quando a cirurgia é indicada para abscesso tubo-ovariano?

A cirurgia é indicada em casos de abscesso roto, peritonite generalizada, falha do tratamento clínico após 48-72 horas, ou em abscessos muito grandes (>9-10 cm).

Quais os principais agentes etiológicos da doença inflamatória pélvica?

Os principais agentes etiológicos da doença inflamatória pélvica são bactérias sexualmente transmissíveis como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae, além de bactérias da flora vaginal.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo