Abscesso Tubo-Ovariano: Manejo Clínico e Prognóstico

UNIRIO/HUGG - Hospital Universitário Gaffrée e Guinle - Rio de Janeiro (RJ) — Prova 2020

Enunciado

MVG nuligesta de 23 anos apresenta febre de 38ºC, calafrios e dor intensa em baixo ventre. Ao exame especular o residente atendente diagnosticou cervicite. Ao toque bimanual verificou-se dor à mobilização do colo uterino e palpação de massa anexial esquerda. Os exames complementares mostraram leucocitose com desvio para esquerda, VHS e proteína C reativas elevados. A ultrassonografia (USG) transvaginal revelou imagem cística alongada, de 3,5 x 4 cm, conteúdo espesso com debris sugerindo abcesso tubo ovariano (ATO). Em relação ao ATO, deve-se realizar a

Alternativas

  1. A) internação da paciente e realização imediata de laparotomia exporadora.
  2. B) internação da paciente e antibioticoterapia parenteral, até que se mantenha apirética no mínimo por 24 horas porque a maioria das pacientes com ATO responde a antibioticoterapia parenteral sem necessidade de drenagem.
  3. C) internação da paciente e antibioticoterapia com Ceftriaxona 250mg intra muscular dose única mais Doxiciclina 100mg via oral 12/12hs até que se mantenha apirética por no mínimo 24 horas e seguir observando a paciente por até 72 horas.
  4. D) internação da paciente, ressonância magnética, antibioticoterapia parenteral e em 48 horas realizar laparoscopia para drenagem do ATO pelo risco de rotura do ATO.
  5. E) internação da paciente e antibioticoterapia parenteral por 48 horas seguida de drenagem extraperitoneal do ATO.

Pérola Clínica

ATO → ATB parenteral hospitalar; maioria responde sem drenagem.

Resumo-Chave

O abscesso tubo-ovariano (ATO) é uma complicação grave da DIP. A conduta inicial é a internação e antibioticoterapia parenteral de amplo espectro. A maioria dos ATOs responde bem ao tratamento clínico, evitando a necessidade de drenagem cirúrgica, que é reservada para falha terapêutica ou ruptura.

Contexto Educacional

O abscesso tubo-ovariano (ATO) é uma complicação grave da doença inflamatória pélvica (DIP), caracterizado pela formação de uma coleção purulenta envolvendo a tuba uterina e o ovário. Geralmente ocorre em mulheres jovens e sexualmente ativas, sendo causado por uma infecção polimicrobiana ascendente. Os sintomas incluem dor pélvica intensa, febre, calafrios e, ao exame físico, massa anexial e dor à mobilização do colo. O diagnóstico é fortemente sugerido pela clínica e exames laboratoriais (leucocitose, VHS e PCR elevados) e confirmado por ultrassonografia transvaginal, que evidencia uma massa anexial complexa. A diferenciação com outras massas pélvicas é crucial. A conduta inicial para o ATO é a internação hospitalar e o início imediato de antibioticoterapia parenteral de amplo espectro, cobrindo bactérias gram-positivas, gram-negativas e anaeróbias. A maioria dos pacientes com ATO (cerca de 70-80%) responde satisfatoriamente ao tratamento clínico com antibióticos parenterais, sem necessidade de intervenção cirúrgica. A drenagem do abscesso, seja por via laparoscópica, laparotômica ou guiada por imagem, é reservada para casos de falha do tratamento clínico após 48-72 horas, abscesso de grande volume, ruptura do abscesso ou piora do quadro clínico.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o diagnóstico de abscesso tubo-ovariano?

O diagnóstico de ATO é suspeitado clinicamente por dor pélvica intensa, febre, massa anexial e marcadores inflamatórios elevados, e confirmado por exames de imagem, como ultrassonografia transvaginal, que revela uma massa anexial cística com conteúdo espesso e debris.

Por que a antibioticoterapia parenteral é a primeira linha de tratamento para ATO?

A antibioticoterapia parenteral é a primeira linha porque permite altas concentrações de antibióticos no local da infecção, combatendo eficazmente os múltiplos patógenos envolvidos (aeróbios e anaeróbios) e controlando a infecção sistêmica.

Quando a drenagem cirúrgica de um ATO é indicada?

A drenagem cirúrgica é indicada se houver falha na resposta à antibioticoterapia parenteral após 48-72 horas, aumento do tamanho do abscesso, suspeita de ruptura, ou se o abscesso for muito grande (>9-10 cm) e não houver melhora clínica.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo