USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020
Mulher 25 anos, nulípara, tabagista, última menstruação há 13 dias, procura serviço de urgência com queixa de dor em região inguinal esquerda e hipogástrio há 5 dias com piora significativa há 3h, associada a náusea, fraqueza e tontura. O exame clínico geral mostra regular estado geral, descorada, FC = 100 bpm, PA = 105 x 65 mmHg, T = 37,8°C. O abdome apresenta-se bastante sensível à palpação no andar inferior. Observa-se pequena quantidade de material vaginal amarelado sem odor característico. O toque vaginal é muito doloroso e não é possível fazer uma boa avaliação da região da pelve. Exames laboratoriais: 1) β-HCG: negativo; 2) hemograma: leucócitos = 10.500/mL, Hb = 10,1g/dL, Ht = 37%. A imagem mais representativa da ultrassonografia transvaginal está mostrada abaixo. A descrição dos achados principais está na legenda da imagem. Com base nas informações descritas, assinale a alternativa que contemple o diagnóstico mais provável e a melhor opção terapêutica.
Dor pélvica aguda + febre + massa anexial + β-HCG negativo → Abscesso tubo-ovariano (DIP grave).
Apresentação clínica de dor pélvica intensa, febre, descoramento e taquicardia, com massa anexial em USG e β-HCG negativo, sugere um processo infeccioso grave como abscesso tubo-ovariano. A conduta inicial é antibioticoterapia endovenosa hospitalar.
O abscesso tubo-ovariano (ATO) é uma complicação grave da Doença Inflamatória Pélvica (DIP), caracterizada por um processo infeccioso que envolve as tubas uterinas e ovários, formando uma massa inflamatória com pus. É mais comum em mulheres jovens, sexualmente ativas, e fatores de risco incluem múltiplos parceiros, ISTs prévias e tabagismo. A rápida identificação e tratamento são cruciais para prevenir complicações como sepse e infertilidade. O diagnóstico baseia-se na tríade clínica de dor pélvica, febre e massa anexial, corroborado por exames laboratoriais (leucocitose, VHS/PCR elevados) e de imagem. A ultrassonografia transvaginal é o método de escolha, revelando uma massa complexa, multiloculada, com septos e debris internos na região anexial. O β-HCG negativo é fundamental para excluir gravidez ectópica, um importante diagnóstico diferencial. Outros diferenciais incluem torção de ovário, cisto ovariano hemorrágico e apendicite. O tratamento do ATO é primariamente clínico, com antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro, geralmente cobrindo bactérias gram-negativas, gram-positivas e anaeróbias (ex: Clindamicina + Gentamicina ou Cefoxitina + Doxiciclina). A internação hospitalar é obrigatória. A resposta ao tratamento deve ser monitorada de perto; em casos de falha terapêutica após 48-72 horas, ruptura do abscesso ou sepse refratária, a intervenção cirúrgica (laparoscopia ou laparotomia) ou drenagem percutânea guiada por imagem pode ser necessária.
Os sinais e sintomas incluem dor pélvica intensa, febre, calafrios, náuseas, vômitos, leucocitose e, em casos graves, sinais de sepse como taquicardia e hipotensão. Ao exame, pode haver dor à mobilização do colo e massa anexial dolorosa.
O abscesso tubo-ovariano geralmente se apresenta com sinais de infecção sistêmica (febre, leucocitose) e história de fatores de risco para DIP. O β-HCG negativo exclui gravidez ectópica. A ultrassonografia transvaginal é crucial para visualizar a massa complexa anexial, diferenciando-o de cisto hemorrágico ou torção ovariana, que tipicamente não apresentam febre e leucocitose tão proeminentes.
O tratamento inicial é a antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro, com cobertura para aeróbios e anaeróbios, visando polimicrobianos. A internação hospitalar é mandatória. Em casos de falha do tratamento clínico ou ruptura, pode ser necessária drenagem percutânea ou cirurgia.
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