CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2009
Qual a conduta mais adequada ante um paciente com quadro de abscesso subperiosteal e compressão do nervo óptico seguida de rápida perda visual?
Abscesso subperiosteal + ↓ visão = Drenagem cirúrgica de urgência + Antibioticoterapia venosa.
A compressão do nervo óptico por abscesso subperiosteal é uma emergência oftalmológica; a descompressão cirúrgica imediata é necessária para evitar cegueira irreversível.
A celulite orbitária é frequentemente uma complicação de sinusites etmoidais. O abscesso subperiosteal representa uma progressão da infecção onde o material purulento se acumula no espaço subperiosteal. A órbita é uma cavidade óssea fechada; qualquer aumento de volume resulta em aumento da pressão intraorbitária. Quando há sinais de neuropatia óptica (baixa visual, alteração de cores, DPAR), o tempo é o fator crítico. A drenagem cirúrgica, geralmente realizada por via endoscópica endonasal ou via externa (Lynch), visa esvaziar o abscesso e descomprimir a órbita. O tratamento clínico isolado é reservado apenas para abscessos muito pequenos em pacientes com visão normal e estabilidade clínica rigorosa.
Os principais sinais que indicam a necessidade de intervenção cirúrgica imediata incluem: queda da acuidade visual, presença de defeito pupilar aferente relativo (DPAR), proptose grave que impede o fechamento palpebral, oftalmoplegia progressiva e evidência radiológica (TC ou RM) de um abscesso subperiosteal ou orbitário volumoso, especialmente se houver suspeita de compressão do nervo óptico ou não houver melhora após 24-48h de antibioticoterapia venosa.
O abscesso subperiosteal é uma coleção de pus entre a lâmina papirácea (ou outras paredes orbitárias) e o periósteo (periórbita). O aumento da pressão intraorbitária e o efeito de massa direto podem comprimir o nervo óptico ou comprometer seu suprimento vascular (isquemia). Além disso, a inflamação adjacente pode causar uma neurite óptica secundária. A perda visual rápida indica que o nervo está em sofrimento agudo.
A antibioticoterapia deve ser iniciada por via intravenosa e deve ter amplo espectro, cobrindo patógenos comuns de sinusite (S. pneumoniae, H. influenzae, Moraxella catarrhalis), além de S. aureus e anaeróbios. Opções comuns incluem Ceftriaxona associada a Clindamicina ou Oxacilina, ou Amoxicilina com Clavulanato (se disponível IV). Em casos de suspeita de MRSA, a Vancomicina deve ser considerada.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo