ENARE/ENAMED — Prova 2025
Menina de 6 anos foi atendida na UPA com queixa de febre, cervicalgia à direita, com amplitude reduzida do movimenta de pescoço e aumento de volume do local da dor há 24 horas. Está em tratamento para amigdalite estreptocócica com amoxicilina em dose e intervalo adequados há 4 dias. O diagnóstico é:
Febre + Cervicalgia + Limitação de movimento + Falha de ATB → Abscesso retrofaríngeo.
O abscesso retrofaríngeo é uma emergência que mimetiza torcicolo ou meningismo, frequentemente surgindo após infecções de vias aéreas superiores ou trauma local.
O espaço retrofaríngeo contém linfonodos que drenam a nasofaringe e os seios da face. Esses linfonodos costumam involuir após os 6 anos de idade, o que explica por que o abscesso retrofaríngeo é mais prevalente em crianças pequenas. Clinicamente, o paciente apresenta febre alta, odinofagia, sialorreia e uma postura característica de pescoço em extensão para aliviar a pressão na via aérea. A falha terapêutica após o uso de antibióticos orais para amigdalite deve sempre levantar a suspeita de complicações supurativas profundas.
A Tomografia Computadorizada (TC) de pescoço com contraste venoso é o padrão-ouro, pois permite avaliar a extensão da coleção, diferenciar celulite de abscesso e identificar a proximidade com estruturas vasculares vitais.
A infecção costuma ser polimicrobiana, envolvendo Streptococcus pyogenes (Grupo A), Staphylococcus aureus (incluindo MRSA) e diversos anaeróbios da cavidade oral.
As complicações incluem obstrução aguda de vias aéreas, mediastinite por disseminação descendente através do 'espaço perigoso', pneumonia por aspiração e erosão da artéria carótida interna.
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