HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2021
Mulher, 50 anos de idade, com histórico de consumo habitual excessivo de álcool, hipertensão e convulsões, chega ao Pronto Atendimento com queixa, há 2 semanas, de dispneia, tosse produtiva e febre. Ao exame físico: temperatura axilar 40°C, cardíaca = 100 batimentos/minuto. Ausculta pulmonar: diminuição do murmúrio vesicular no lobo inferior do pulmão esquerdo. A tomografia de tórax encontra-se a seguir: Qual é o diagnóstico e o tratamento?
Alcoolismo + pneumonia aspirativa + cavitação pulmonar com nível hidroaéreo → Abscesso pulmonar, tratar com Clindamicina.
O abscesso pulmonar é uma necrose do tecido pulmonar e formação de cavidade, frequentemente associado à aspiração em pacientes com fatores de risco como alcoolismo. A presença de cavitação com nível hidroaéreo na TC é altamente sugestiva. O tratamento empírico inicial deve cobrir anaeróbios, sendo a clindamicina uma excelente opção.
O abscesso pulmonar é uma infecção supurativa do parênquima pulmonar que resulta em necrose tecidual e formação de uma cavidade contendo pus. É uma condição séria, frequentemente associada à pneumonia aspirativa, especialmente em pacientes com fatores de risco como alcoolismo, distúrbios de consciência, má higiene oral ou disfagia. A apresentação clínica costuma ser subaguda, com febre, tosse produtiva com escarro purulento e, por vezes, halitose. O diagnóstico é fortemente sugerido pela história clínica e achados radiológicos. A tomografia de tórax é crucial, revelando tipicamente uma cavidade com nível hidroaéreo, que é patognomônico de abscesso pulmonar. A localização mais comum é nos segmentos posteriores dos lobos superiores ou segmentos superiores dos lobos inferiores, devido à gravidade durante a aspiração. O diferencial inclui tuberculose cavitária, neoplasias cavitadas e embolia séptica. O tratamento do abscesso pulmonar é primariamente com antibióticos de longo curso, geralmente por 4 a 6 semanas ou até a resolução radiológica. A cobertura para bactérias anaeróbias é essencial, sendo a clindamicina uma excelente escolha devido à sua eficácia contra esses patógenos e boa penetração pulmonar. Outras opções incluem amoxicilina-clavulanato ou carbapenêmicos. A drenagem percutânea ou cirúrgica pode ser necessária em casos selecionados de abscessos grandes ou que não respondem ao tratamento clínico.
Os principais fatores de risco incluem alcoolismo, distúrbios de deglutição, má higiene oral, convulsões, uso de sedativos e qualquer condição que predisponha à aspiração de conteúdo orofaríngeo.
O achado radiológico mais comum é uma cavidade pulmonar com nível hidroaéreo, indicando a presença de gás e líquido dentro da lesão, geralmente em lobos inferiores ou segmentos posteriores.
A clindamicina é eficaz contra a maioria dos anaeróbios orais, que são os principais patógenos envolvidos em abscessos pulmonares de origem aspirativa, além de ter boa penetração no tecido pulmonar.
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