INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Um homem com 37 anos, em situação de rua de longa data, com condições precárias de higiene pessoal, história de uso abusivo de álcool e de crack, procura atendimento em unidade de pronto atendimento devido a quadro de febre baixa intermitente não aferida, tosse produtiva com escarro esverdeado com rajas de sangue e odor fétido, fraqueza geral e emagrecimento. Ele refere que o quadro tem cerca de 3 semanas de evolução. Realizados os exames, o teste rápido molecular apresenta-se com resultado não detectável para micobactéria e o resultado da radiografia simples do tórax está reproduzida na imagem a seguir.O paciente é, então, encaminhado para internação hospitalar, sendo iniciado esquema antimicrobiano com Ceftriaxona e Metronidazol por via endovenosa. Após 20 dias de tratamento, o paciente mantém episódios de febre baixa intermitente, mas com menor intensidade, e refere persistirem os sintomas inicialmente descritos, exceto pela redução da hemoptise. Realizada nova radiografia simples de tórax, constata-se que a imagem mostra manutenção das alterações iniciais.A conduta recomendada nesse caso é
Abscesso pulmonar com falha terapêutica após 2-3 semanas de ATB adequado → considerar drenagem ou cirurgia.
Pacientes com abscesso pulmonar que não apresentam melhora clínica e radiológica após 2-3 semanas de antibioticoterapia adequada, especialmente na presença de fatores de risco como aspiração e condições precárias, devem ser avaliados para drenagem percutânea ou abordagem cirúrgica, como lobectomia ou segmentectomia, para remover o tecido necrótico e infectado.
O abscesso pulmonar é uma infecção supurativa do parênquima pulmonar, resultando em necrose e formação de uma cavidade contendo pus. Geralmente, é uma complicação de pneumonia aspirativa, sendo mais comum em pacientes com fatores de risco como alcoolismo, uso de drogas ilícitas, má higiene oral, distúrbios de deglutição e imunossupressão. A apresentação clínica típica inclui febre, tosse produtiva com escarro purulento e fétido (devido à presença de anaeróbios), dor torácica e emagrecimento. O diagnóstico é feito pela clínica e radiografia de tórax, que mostra uma cavidade com nível hidroaéreo. O tratamento inicial é com antibioticoterapia prolongada, geralmente por 4 a 6 semanas ou até a resolução radiológica, cobrindo anaeróbios e bactérias aeróbicas comuns (ex: Clindamicina ou Amoxicilina/Clavulanato). A Ceftriaxona e Metronidazol, como usados no caso, oferecem boa cobertura. No entanto, a falha terapêutica, definida pela ausência de melhora clínica e radiológica após 2-3 semanas de tratamento adequado, é uma indicação para reavaliar a conduta. Nesses casos, deve-se considerar a drenagem percutânea guiada por imagem ou, em situações selecionadas (abscessos grandes, hemoptise maciça, obstrução brônquica subjacente, suspeita de neoplasia ou falha persistente da drenagem), a abordagem cirúrgica com ressecção do segmento ou lobo pulmonar acometido. A persistência dos sintomas e da lesão radiográfica após um tratamento prolongado sugere que a infecção não está sendo controlada apenas com antibióticos.
Fatores de risco incluem aspiração (comum em alcoolistas, pacientes com distúrbios de deglutição, convulsões), má higiene oral, imunossupressão, obstrução brônquica (por tumor ou corpo estranho) e condições que predispõem a infecções anaeróbicas.
A falha terapêutica é considerada quando não há melhora clínica (febre, tosse, escarro) e/ou radiológica (redução do tamanho da cavidade, melhora do infiltrado) após 2 a 3 semanas de antibioticoterapia adequada, ou em casos de complicações como hemoptise maciça ou empiema.
Para abscessos pulmonares refratários ao tratamento clínico, as opções incluem drenagem percutânea guiada por imagem (se acessível e seguro) ou abordagem cirúrgica, como lobectomia ou segmentectomia, para remover o tecido necrótico e infectado, especialmente em casos de grandes abscessos, hemoptise persistente ou suspeita de neoplasia subjacente.
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