Abscesso Pulmonar: Diagnóstico e Manejo Inicial

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023

Enunciado

Um policial leva ao pronto-socorro um homem em situação de rua, com idade aproximada de 55 anos, que está com febre (temperatura axilar de 38,8 °C) e com tosse com expectoração pútrida abundante, iniciadas há várias semanas. O paciente é etilista, usuário de crack e não sabe informar sobre a existência de doenças prévias. Foi realizada uma radiografia de tórax, a qual pode ser vista a seguir.Com base nesse quadro clínico, assinale a opção que indica, respectivamente, o diagnóstico mais provável e a conduta inicial mais apropriada. 

Alternativas

  1. A) Tromboembolismo pulmonar; iniciar anticoagulação. 
  2. B) Abscesso pulmonar; iniciar antibioticoterapia empírica. 
  3. C) Neoplasia pulmonar primária; aguardar broncoscopia e biópsia.
  4. D) Tuberculose pulmonar; aguardar resultado de cultura de M. tuberculosis.

Pérola Clínica

Etilista/usuário de drogas com tosse pútrida e febre crônica → Abscesso pulmonar = iniciar ATB empírica.

Resumo-Chave

O abscesso pulmonar é uma necrose do parênquima pulmonar causada por infecção microbiana, frequentemente anaeróbica, em pacientes com fatores de risco para aspiração, como etilismo e uso de drogas. A expectoração pútrida e o quadro arrastado são pistas importantes.

Contexto Educacional

O abscesso pulmonar é uma infecção supurativa do parênquima pulmonar que resulta em necrose e formação de cavidade, frequentemente preenchida por pus. É mais comum em pacientes com fatores de risco para aspiração de conteúdo orofaríngeo, como etilistas, usuários de drogas intravenosas, indivíduos com distúrbios de deglutição ou má higiene oral. A epidemiologia está ligada a condições que comprometem a proteção das vias aéreas. A fisiopatologia envolve a aspiração de bactérias anaeróbias da orofaringe para os pulmões, levando à infecção e necrose tecidual. O diagnóstico é suspeitado clinicamente pela tosse crônica com expectoração pútrida, febre e perda de peso, e confirmado por radiografia ou tomografia de tórax que mostra uma cavidade com nível hidroaéreo. É crucial suspeitar em pacientes com fatores de risco. O tratamento consiste em antibioticoterapia prolongada, geralmente por várias semanas a meses, com agentes que cubram anaeróbios, como clindamicina ou amoxicilina-clavulanato. Em casos selecionados, pode ser necessária drenagem percutânea ou cirúrgica. O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, mas pode haver complicações como empiema ou disseminação da infecção.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para o desenvolvimento de abscesso pulmonar?

Os principais fatores de risco incluem condições que predispõem à aspiração, como etilismo, uso de drogas ilícitas, distúrbios de deglutição, má higiene oral e doenças neurológicas.

Qual a conduta inicial mais apropriada para um abscesso pulmonar?

A conduta inicial envolve antibioticoterapia empírica, geralmente com cobertura para anaeróbios e gram-positivos, como clindamicina ou amoxicilina-clavulanato, por um período prolongado.

Como diferenciar abscesso pulmonar de tuberculose ou neoplasia pulmonar?

O abscesso pulmonar se manifesta com expectoração pútrida e febre prolongada em pacientes com fatores de risco para aspiração. Tuberculose tem escarro hemoptoico e neoplasia pode ter sintomas inespecíficos, mas raramente expectoração pútrida. A radiografia e a cultura de escarro auxiliam na diferenciação.

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