MedEvo Simulado — Prova 2026
Um homem de 54 anos, portador de diabetes mellitus tipo 2 com controle glicêmico inadequado, comparece ao pronto-socorro com queixa de dor perineal intensa, febre alta com calafrios (39,4°C) e dificuldade miccional importante há 5 dias. Relata história de uretrite purulenta há três semanas, para a qual utilizou apenas dois dias de medicação por conta própria. Ao exame físico, apresenta-se em regular estado geral, taquicárdico, com próstata aumentada de volume, extremamente dolorosa e com áreas de flutuação ao toque retal. Foi iniciada antibioticoterapia empírica com ceftriaxone e amicacina venosos. Após 72 horas de tratamento em regime de internação, o paciente mantém picos febris diários e desenvolve retenção urinária aguda. Uma ultrassonografia transretal de próstata foi realizada e evidenciou uma coleção hipoecoica e heterogênea de 3,6 cm localizada no lobo prostático esquerdo. Diante do quadro clínico e dos achados de imagem, a conduta mais adequada é:
Abscesso prostático > 1-2 cm ou refratário → Drenagem (preferencialmente aspiração por agulha).
O abscesso prostático deve ser suspeitado em pacientes com prostatite que não melhoram após 48-72h de antibióticos. Coleções significativas exigem drenagem guiada por imagem para resolução.
O abscesso prostático é uma complicação grave da prostatite bacteriana, frequentemente associada a patógenos como E. coli e S. aureus. Em pacientes diabéticos, a apresentação pode ser mais agressiva e a resposta ao tratamento clínico isolado é menor. O tratamento envolve antibioticoterapia de amplo espectro e, na presença de coleções > 1 cm ou sintomas obstrutivos como retenção urinária, a drenagem é mandatória para resolução do quadro e prevenção de sepse urológica.
Deve-se suspeitar de abscesso prostático em pacientes com diagnóstico de prostatite aguda que apresentam persistência de febre e sintomas urinários após 48 a 72 horas de antibioticoterapia adequada, ou quando o toque retal revela áreas de flutuação. Fatores de risco como diabetes mellitus, imunossupressão e manipulação uretral prévia aumentam significativamente a probabilidade dessa complicação.
A ultrassonografia transretal (USTR) é o exame de escolha inicial devido à sua alta sensibilidade para detectar coleções intraprostáticas e permitir a intervenção simultânea. A tomografia computadorizada e a ressonância magnética também são úteis, especialmente para avaliar a extensão extraprostática do abscesso ou quando a USTR é tecnicamente difícil.
A aspiração por agulha (transretal ou transperineal) guiada por ultrassom é menos invasiva, pode ser realizada sob anestesia local ou sedação leve e apresenta menores taxas de complicações em comparação com a ressecção transuretral (RTUP) ou drenagem aberta. A RTUP é geralmente reservada para casos de abscessos múltiplos, coleções muito grandes ou quando a aspiração inicial falha.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo