HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2022
Lactente de 2 meses de vida é levado à Unidade Básica de Saúde porque, há 2 dias, a mãe notou uma lesão eritematosa, indolor, que tem aumentado de tamanho, em braço direito. Ao exame, a criança apresenta um abscesso frio, de 2 cm de diâmetro, com um ponto de flutuação, na região ao redor do local de aplicação da vacina BCG id. Neste caso a melhor conduta, dentre as seguintes opções, é
Abscesso frio pós-BCG → Isoniazida oral até resolução.
O abscesso frio no local da vacina BCG é uma complicação local comum, geralmente benigna. A conduta de escolha é o tratamento com isoniazida oral, que visa reduzir a carga bacteriana e promover a resolução da lesão, evitando procedimentos invasivos desnecessários.
A vacina BCG (Bacillus Calmette-Guérin) é amplamente utilizada para prevenir formas graves de tuberculose em crianças. Embora seja segura, pode apresentar reações adversas locais, sendo o abscesso frio uma das mais comuns. Este abscesso é caracterizado por uma lesão eritematosa, indolor, com flutuação, que se desenvolve no local da aplicação ou na região axilar (linfadenite) semanas ou meses após a vacinação. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória exagerada ou uma replicação local do Mycobacterium bovis atenuado da vacina. Diferentemente de um abscesso bacteriano comum, o abscesso frio não apresenta sinais clássicos de calor e dor intensos, e a drenagem cirúrgica rotineira é desaconselhada devido ao risco de fístulas crônicas. A conduta de escolha para o abscesso frio pós-BCG é o tratamento conservador com isoniazida oral. A dose e a duração do tratamento devem ser individualizadas, mas geralmente se estende até a completa resolução da lesão, o que pode levar alguns meses. A isoniazida atua como um tuberculostático, controlando a proliferação do Mycobacterium bovis. É crucial tranquilizar os pais e explicar a natureza benigna e autolimitada da condição com o tratamento adequado.
As complicações mais comuns da vacina BCG incluem reações locais como úlcera no local da aplicação, abscesso subcutâneo (frio), linfadenite regional (supurativa ou não supurativa) e, mais raramente, osteíte ou BCG disseminada.
A isoniazida é um tuberculostático eficaz contra o Mycobacterium bovis (cepa da BCG). Seu uso oral ajuda a controlar a proliferação bacteriana no abscesso frio, promovendo a resolução da lesão sem a necessidade de drenagem cirúrgica, que pode levar à formação de fístulas.
A drenagem cirúrgica é raramente indicada e deve ser evitada, pois pode resultar em fístulas de difícil cicatrização. É reservada para casos de abscessos muito grandes, com risco de ruptura espontânea ou que não respondem ao tratamento clínico com isoniazida.
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