SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2022
Homem obeso e diabético, de 54 anos, com quadro de dor na região anal há quatro dias, sem melhora e surgimento de abaulamento há um dia. Queixa calafrio. A inspeção da região anal demonstra abaulamento perianal à esquerda, com hiperemia. Sem flutuação à palpação, com aumento de calor local. Toque não realizado devido à dor intensa.Nesse caso, qual é a melhor conduta?
Abscesso perianal + dor intensa + sinais sistêmicos → Drenagem cirúrgica de urgência, mesmo sem flutuação.
Um abscesso perianal, especialmente em paciente diabético e com sinais de infecção sistêmica (calafrios), requer drenagem cirúrgica de urgência. A ausência de flutuação não contraindica a cirurgia, pois a coleção purulenta pode ser profunda ou tensa, e a espera pode levar à progressão da infecção e sepse.
O abscesso perianal é uma condição comum e dolorosa, resultante da infecção das glândulas anais. A epidemiologia mostra maior incidência em homens jovens, mas pacientes com comorbidades como diabetes, doença de Crohn ou imunossupressão têm maior risco de abscessos mais complexos e com maior potencial de complicações. A importância clínica reside na necessidade de reconhecimento e tratamento rápido para evitar a progressão para sepse ou a formação de fístulas anais crônicas. A fisiopatologia envolve a obstrução do ducto de uma glândula anal, levando à estase de secreções e proliferação bacteriana, formando uma coleção purulenta. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na dor anal intensa, abaulamento, hiperemia e calor local. Em casos de dor intensa, o toque retal pode ser inviável, mas a inspeção e palpação externa são geralmente suficientes. Sinais sistêmicos como febre e calafrios indicam uma infecção mais grave. O tratamento padrão-ouro para o abscesso perianal é a incisão e drenagem cirúrgica de urgência. Antibioticoterapia isolada não é eficaz e deve ser reservada para casos selecionados (celulite extensa sem abscesso claro, pacientes imunocomprometidos ou com valvopatia). A drenagem alivia a dor, controla a infecção e permite a cicatrização. A fistulotomia programada é uma conduta para fístulas anais, não para abscessos agudos. O prognóstico é geralmente bom com a drenagem adequada, mas cerca de 30-50% dos pacientes podem desenvolver uma fístula anal posteriormente.
Sinais de urgência incluem dor anal intensa e progressiva, abaulamento perianal com hiperemia e calor local, febre, calafrios e mal-estar geral, especialmente em pacientes com comorbidades como diabetes.
A drenagem cirúrgica é a melhor conduta porque remove o foco da infecção, alivia a dor e previne a disseminação bacteriana e a formação de fístulas complexas. Antibióticos sozinhos não são eficazes para abscessos já formados.
Não, a ausência de flutuação não contraindica a drenagem, especialmente quando há dor intensa, sinais inflamatórios evidentes e sintomas sistêmicos. A coleção purulenta pode ser profunda ou tensa, e a espera pode atrasar o tratamento adequado.
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