UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Homem de 37 anos, com queixa de dor perianal há 3 dias e febre há 1 dia. EF da região perianal: abaulamento em região posterior esquerda, doloroso à palpação e dois orifícios fistulosos, com saída de secreção amarelada. A melhor conduta é:
Abscesso perianal diagnosticado → Drenagem imediata. Não aguardar flutuação ou usar apenas ATB.
O tratamento definitivo do abscesso perianal é a drenagem cirúrgica imediata. A abordagem de fístulas associadas deve ser cautelosa na fase aguda para evitar incontinência fecal.
O abscesso perianal resulta da infecção das glândulas anais localizadas no espaço interesfincteriano (origem criptoglandular). Clinicamente, manifesta-se por dor latejante contínua, abaulamento e febre. O diagnóstico é essencialmente clínico. A drenagem deve ser realizada o mais precocemente possível, preferencialmente sob anestesia, com incisão próxima à margem anal para encurtar o trajeto de uma eventual fístula futura. O conhecimento da anatomia dos espaços anorretais é fundamental para o cirurgião evitar iatrogenias.
A antibioticoterapia é indicada apenas como complemento à drenagem em pacientes com sinais de sepse, celulite perianal extensa, diabetes descompensado, imunossupressão ou portadores de próteses valvares cardíacas. Na maioria dos pacientes hígidos, a drenagem isolada é suficiente.
Embora a fístula seja a causa de 90% dos abscessos (teoria criptoglandular), a realização de fistulotomia ou fistulectomia no momento da drenagem aguda é controversa. Em geral, recomenda-se apenas a drenagem para resolver a sepse local, postergando o tratamento da fístula para um segundo tempo, após a resolução do processo inflamatório agudo.
A demora na drenagem pode levar à progressão da infecção para os espaços profundos (isquiorretal, supraelevador), destruição de tecidos esfincterianos, formação de fístulas complexas e, em casos graves, evolução para Síndrome de Fournier (fascite necrotizante perineal), que é uma emergência com alta mortalidade.
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