Abscesso Perianal com Sepse: Manejo e Complicações

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2025

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 23 anos, queixando quadro de dor em região perianal há 3 dias que evoluiu com piora progressiva e início de picos de febre alta com calafrios. Ao exame físico, apresenta-se em REG, pálido e sudoreico, febril, taquicárdico, taquipneico e levemente hipotenso. O exame proctológico revelou área edemaciada e eritematosa, com flutuação e bastante dolorosa à palpação, em região perianal às 2:00. Devido ao quadro de dor, optou-se pela não realização do toque retal. Sobre o caso, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) A indicação do tratamento cirúrgico dependerá de avaliação radiológica da musculatura pélvica, preferencialmente por ultrassonografia.
  2. B) O quadro séptico justifica o uso de antibióticos como parte do tratamento deste paciente, todavia seu uso não influenciará na possível evolução com fístula perianal.
  3. C) História de dor abdominal e diarréia crônica ou de doença inflamatória intestinal na família, sugere que o quadro acima pode ser secundário a retocolite ulcerativa incipiente.
  4. D) Por tratar-se de complicação de doença hemorroidária, o tratamento de escolha neste momento é anti-inflamatórios orais, banhos de assento frios 3 vezes ao dia e uso tópico de pomadas à base de nifedipina.

Pérola Clínica

Abscesso perianal com sepse → Drenagem cirúrgica URGENTE + ATB para sepse; ATB NÃO previne fístula.

Resumo-Chave

O abscesso perianal é uma infecção purulenta aguda que requer drenagem cirúrgica como tratamento definitivo. Embora a antibioticoterapia seja indicada em casos de sepse, celulite extensa ou imunocomprometimento, ela é adjuvante e não substitui a drenagem, nem previne a formação de fístulas perianais, que são complicações comuns da doença.

Contexto Educacional

O abscesso perianal é uma infecção aguda comum, resultante da obstrução e infecção das glândulas anais. A epidemiologia mostra maior incidência em homens jovens. A importância clínica reside na dor intensa e no risco de complicações graves, como sepse e gangrena de Fournier, especialmente em pacientes com comorbidades. A fisiopatologia envolve a proliferação bacteriana em um espaço fechado, levando à formação de pus. O diagnóstico é predominantemente clínico, com exame físico revelando uma massa dolorosa, edemaciada, eritematosa e flutuante na região perianal. A presença de febre, calafrios e hipotensão sugere um quadro séptico, exigindo intervenção imediata. O tratamento primário é a drenagem cirúrgica do abscesso. A antibioticoterapia é reservada para casos de sepse, celulite extensa, imunocomprometimento ou comorbidades específicas, mas não substitui a drenagem. A principal complicação a longo prazo é a formação de fístula perianal, que ocorre em até metade dos pacientes e requer tratamento cirúrgico específico.

Perguntas Frequentes

Qual é o tratamento de escolha para um abscesso perianal?

O tratamento de escolha é a drenagem cirúrgica do abscesso, que alivia a dor, controla a infecção e permite a cicatrização. A drenagem deve ser realizada o mais rápido possível, especialmente em casos com sinais de sepse.

Quando os antibióticos são indicados no abscesso perianal?

Antibióticos são indicados em pacientes com sinais de sepse (como no caso descrito), celulite extensa, imunocomprometimento, valvopatia cardíaca ou próteses. No entanto, eles são adjuvantes à drenagem e não a substituem.

Qual a relação entre abscesso perianal e fístula perianal?

A maioria dos abscessos perianais se origina da infecção de glândulas anais. A fístula perianal é uma complicação comum, ocorrendo em até 50% dos casos, representando a cronificação do trajeto infeccioso entre a glândula anal e a pele perianal.

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