Abscesso de Parede Abdominal Pós-Cirúrgico: Diagnóstico e Manejo

UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2015

Enunciado

Paciente masculino, 30 anos, submetido à apendicectomia por apendicite aguda perfurada com abscesso pélvico por via laparotômica há 15 dias. Recebeu alta no quinto dia pós-operatório. Há 4 dias vem apresentando febre de 38,9 ºC e abaulamento da ferida, com hiperemia. A ultrassonografia do abdome mostra edema e espessamento da parede no local da incisão de McBurney com ar no subcutâneo. Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico mais provável e a conduta recomendada:

Alternativas

  1. A) Trata-se de fístula estercoral após apendicectomia e o paciente deve iniciar nutrição parenteral total.
  2. B) O paciente apresenta fístula entérica e deve ser submetido à drenagem da parede e ileostomia derivativa.
  3. C) O paciente apresentou hematoma pericecal, drenado e infectado por bacilos Gram- positivos, originários da flora dérmica profunda, que deve ser drenado.
  4. D) O paciente apresenta fístula entérica de baixo débito, distal, devendo ser drenada e iniciada imediatamente nutrição enteral por sonda com solução hidrolisada.
  5. E) Trata-se de abscesso da parede abdominal com predomínio de Gram-negativos e anaeróbios, devendo ser drenado e iniciada antibioticoterapia.

Pérola Clínica

Febre + abaulamento/hiperemia ferida pós-apendicectomia perfurada + USG com ar/edema = Abscesso de parede abdominal. Conduta: drenagem + ATB para Gram-negativos e anaeróbios.

Resumo-Chave

A presença de febre, sinais inflamatórios na ferida cirúrgica e achados ultrassonográficos de coleção com gás sugerem abscesso de parede abdominal, especialmente após cirurgia contaminada como apendicectomia perfurada. O tratamento envolve drenagem da coleção e antibioticoterapia empírica com cobertura para Gram-negativos e anaeróbios, dada a origem intestinal da infecção.

Contexto Educacional

A infecção de sítio cirúrgico (ISC) é uma complicação comum, especialmente após cirurgias contaminadas ou sujas, como a apendicectomia por apendicite aguda perfurada. O abscesso de parede abdominal é uma forma de ISC que se manifesta com sinais inflamatórios locais (hiperemia, abaulamento, dor) e sistêmicos (febre), geralmente alguns dias ou semanas após o procedimento. A presença de ar no subcutâneo em uma ultrassonografia é um achado sugestivo de infecção por germes produtores de gás. O diagnóstico diferencial deve incluir hematoma infectado, celulite e, em casos mais raros, fístula entérica. No entanto, a descrição clínica e radiológica (febre, abaulamento, hiperemia, ar no subcutâneo) aponta fortemente para um abscesso. A flora bacteriana esperada em infecções abdominais pós-cirúrgicas, especialmente após perfuração de víscera oca, é polimicrobiana, com predomínio de bactérias Gram-negativas entéricas (ex: *Escherichia coli*) e anaeróbios (ex: *Bacteroides fragilis*). A conduta terapêutica para um abscesso de parede abdominal é a drenagem da coleção, que pode ser realizada por incisão e drenagem cirúrgica ou, se possível, por punção guiada por imagem. Além da drenagem, a antibioticoterapia empírica é fundamental e deve cobrir o espectro de Gram-negativos e anaeróbios, sendo ajustada posteriormente conforme cultura e antibiograma.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de um abscesso de parede abdominal pós-operatório?

Os sinais e sintomas incluem febre, dor localizada, abaulamento e hiperemia na ferida cirúrgica, podendo haver flutuação à palpação. Exames de imagem como ultrassonografia ou tomografia confirmam a presença da coleção.

Qual a conduta inicial para um abscesso de parede abdominal?

A conduta inicial e principal é a drenagem da coleção, que pode ser cirúrgica (incisão e drenagem) ou guiada por imagem (punção). É fundamental associar antibioticoterapia empírica com cobertura para Gram-negativos e anaeróbios.

Por que a flora bacteriana de um abscesso pós-apendicectomia perfurada inclui Gram-negativos e anaeróbios?

A apendicite perfurada expõe a cavidade abdominal à flora intestinal, que é predominantemente composta por bactérias Gram-negativas entéricas (como *Escherichia coli*) e anaeróbios (como *Bacteroides fragilis*), justificando a cobertura antibiótica.

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