Abscesso Paravalvar na Endocardite: Sinais de Alerta

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2023

Enunciado

Homem de 72 anos encontra-se em tratamento hospitalar de endocardite infecciosa. O médico plantonista foi acionado porque o paciente se queixou de dispneia. Ao exame físico, PA 100/62mmHg, FC 36bpm, FR 28ipm, SpO2 89% (em ar ambiente). O exame respiratório revelou crepitações teleinspiratórias em ambas as bases pulmonares. O exame cardiovascular revelou ritmo cardíaco regular e bradicárdico, sem sopro. As extremidades estavam aquecidas, e o enchimento capilar era imediato. O ECG pode ser visto abaixo: Assinale a alternativa que apresenta a complicação da endocardite infecciosa MAIS PROVÁVEL de ter ocorrido nesse paciente:

Alternativas

  1. A) Abscesso paravalvar
  2. B) Embolização da vegetação
  3. C) Infarto agudo do miocárdio
  4. D) Regurgitação valvar aguda

Pérola Clínica

Endocardite + novo distúrbio de condução (bradicardia/BAV) → suspeitar de abscesso paravalvar.

Resumo-Chave

A extensão perianular da infecção na endocardite pode atingir o sistema de condução, gerando bloqueios. O abscesso é a complicação mais provável em novos BAVs.

Contexto Educacional

A endocardite infecciosa (EI) é uma doença com alta morbimortalidade. Complicações perianulares ocorrem em 10-40% dos casos de EI de valva nativa, sendo mais comuns na valva aórtica. A suspeita clínica deve ser imediata quando um paciente em tratamento para EI desenvolve novos distúrbios de condução no ECG. O quadro de dispneia e crepitações sugere insuficiência cardíaca esquerda, que neste caso é agravada pela bradicardia extrema decorrente do comprometimento do sistema de condução pelo abscesso.

Perguntas Frequentes

Por que o abscesso paravalvar causa bradicardia?

O abscesso paravalvar é uma complicação supurativa da endocardite infecciosa que se estende além do anel valvar. Devido à proximidade anatômica do anel valvar aórtico com o nó atrioventricular e o feixe de His, a formação de um abscesso ou processo inflamatório nessa região pode comprimir ou destruir o tecido de condução, resultando em bloqueios atrioventriculares de diversos graus ou bradicardias severas. É um sinal clássico de extensão perianular da infecção.

Qual o melhor exame para diagnosticar abscesso miocárdico?

O ecocardiograma transesofágico (ETE) é significativamente superior ao ecocardiograma transtorácico (ETT) para a detecção de complicações perianulares, como abscessos, fístulas ou pseudoaneurismas. Enquanto o ETT tem sensibilidade limitada para essas estruturas, o ETE alcança sensibilidade superior a 90%. Diante de suspeita clínica (como novos bloqueios no ECG), o ETE deve ser realizado prontamente, mesmo que o ETT inicial seja negativo ou inconclusivo.

Qual a indicação cirúrgica no abscesso paravalvar?

A presença de abscesso paravalvar, fístula ou evidência de extensão perianular da infecção é uma indicação formal de cirurgia cardíaca precoce (geralmente de urgência). O tratamento apenas com antibioticoterapia é insuficiente para erradicar a infecção nessas coleções profundas e o risco de destruição valvar progressiva, insuficiência cardíaca intratável e morte é muito elevado. O objetivo cirúrgico é o desbridamento do tecido infectado e a reconstrução do anel valvar.

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