MedEvo Simulado — Prova 2026
Geraldo, um paciente de 48 anos, portador de Diabetes Mellitus tipo 2 com controle glicêmico irregular (última HbA1c de 9,2%), procura a unidade de emergência com queixa de dor perianal intensa e pulsátil há 3 dias. Relata que a dor impossibilita o ato de sentar e piora significativamente durante a evacuação. Ao exame físico, apresenta-se febril (38,3°C) e taquicárdico. À inspeção da região perianal, não são observados abaulamentos, hiperemia ou orifícios fistulosos externos. Entretanto, o paciente apresenta dor severa à palpação profunda da fossa isquiorretal direita. O toque retal revela uma massa tensa, flutuante e extremamente dolorosa na parede lateral direita, situada acima da linha pectínea. Diante do quadro clínico apresentado, a conduta imediata mais adequada é:
Abscesso perianal em diabético + febre → Drenagem cirúrgica imediata + ATB venoso.
Abscessos anorretais profundos em pacientes imunocomprometidos ou com sinais sistêmicos exigem abordagem em bloco cirúrgico para desbridamento adequado e controle infeccioso.
Os abscessos anorretais originam-se majoritariamente de glândulas criptoglandulares no canal anal. O espaço isquiorretal é uma localização comum para abscessos profundos que podem não apresentar sinais flogísticos externos evidentes à inspeção, manifestando-se apenas por dor intensa e abaulamento ao toque retal. Em pacientes diabéticos, a morbidade é significativamente maior. A conduta padrão-ouro envolve a drenagem ampla e precoce. O uso de antibióticos, embora discutível em abscessos simples em imunocompetentes, é obrigatório em diabéticos, pacientes com valvulopatias ou sinais de sepse, visando cobrir germes gram-negativos e anaeróbios da flora intestinal.
A drenagem ambulatorial sob anestesia local é contraindicada em abscessos profundos (como o isquiorretal) e em pacientes com comorbidades graves ou sinais de resposta inflamatória sistêmica. O paciente apresenta febre, taquicardia e diabetes descompensado, o que aumenta o risco de drenagem incompleta e progressão para fasciíte necrosante (Síndrome de Fournier). O ambiente de bloco cirúrgico permite anestesia regional ou geral, garantindo exploração adequada da cavidade, quebra de septos e desbridamento de tecidos desvitalizados, essenciais para o controle do foco infeccioso.
Pacientes com Diabetes Mellitus, especialmente com controle glicêmico irregular (HbA1c elevada), apresentam disfunção imunológica, incluindo prejuízo na quimiotaxia e fagocitose de neutrófilos. Isso predispõe a infecções mais graves e de rápida progressão. Nesses indivíduos, um abscesso simples pode evoluir rapidamente para celulite extensa ou gangrena de Fournier. Portanto, a conduta deve ser agressiva, com internação hospitalar, controle rigoroso da glicemia, antibioticoterapia de amplo espectro intravenosa e intervenção cirúrgica precoce para evitar complicações fatais.
A Tomografia Computadorizada (TC) de pelve com contraste é útil em casos de dúvida diagnóstica, suspeita de abscessos supraelevadores ou quando o exame físico é inconclusivo. No entanto, em um paciente com sinais clínicos claros de coleção flutuante ao toque retal e sinais de sepse, a solicitação de exames de imagem não deve atrasar a intervenção cirúrgica. O diagnóstico de abscesso anorretal é eminentemente clínico, e a conduta imediata é a drenagem. A TC deve ser reservada para mapeamento de fístulas complexas ou coleções ocultas em pacientes que não melhoram após a drenagem inicial.
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