Abscesso Pós-Operatório: Diagnóstico e Manejo em Apendicite Perfurada

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 75 anos de idade, portador de doença de Alzheimer avançada, bronquítico crônico, em uso de corticoide, foi submetido à laparotomia explo- radora sem diagnóstico prévio. O achado cirúrgico foi de uma apendicite aguda perfurada com abscesso em fundo de saco. Realizada apendicectomia clássica, colheita de material do abscesso para cultura e antibiograma e limpeza da cavidade. Foram prescritos ceftriaxona e metronidazol. Por volta do 6º dia de pós-operatório, o paciente inicia com distensão abdominal, febre alta (38 – 39 °C), em picos e hipotensão. O diagnóstico mais provável e a conduta são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) abscesso intracavitário; tomografia computadorizada de abdome total.
  2. B) broncopneumonia; radiografia de tórax.
  3. C) resistência aos antibióticos prescritos; introdução de vancomicina.
  4. D) obstrução intestinal; radiografia simples de abdome.
  5. E) tromboembolismo pulmonar; tomografia computado- rizada de tórax com contraste EV.

Pérola Clínica

Febre, distensão abdominal e hipotensão no pós-operatório de apendicite perfurada com abscesso → suspeitar de abscesso intracavitário residual; TC de abdome é a conduta diagnóstica.

Resumo-Chave

Um paciente idoso e imunocomprometido (uso de corticoide) com apendicite perfurada e abscesso inicial, que desenvolve febre, distensão abdominal e hipotensão no 6º PO, sugere complicação infecciosa. A formação de um novo abscesso intracavitário é a hipótese mais provável, e a tomografia computadorizada de abdome total é o exame de escolha para confirmar o diagnóstico e guiar o tratamento.

Contexto Educacional

A apendicite aguda perfurada com formação de abscesso é uma condição grave que aumenta significativamente o risco de complicações pós-operatórias, especialmente em pacientes idosos e imunocomprometidos, como o descrito no caso. A presença de febre alta, distensão abdominal e hipotensão no 6º dia de pós-operatório é altamente sugestiva de uma complicação infecciosa grave, sendo o abscesso intracavitário residual ou novo abscesso a principal suspeita. Apesar da antibioticoterapia inicial com ceftriaxona e metronidazol, a persistência ou o surgimento de sinais de sepse indica que a fonte da infecção não foi controlada. Nesses casos, a simples troca de antibióticos sem identificar a causa subjacente é inadequada. A tomografia computadorizada (TC) de abdome total é o exame de imagem de escolha para investigar coleções intra-abdominais, como abscessos, devido à sua alta sensibilidade e capacidade de fornecer detalhes anatômicos precisos. Outras opções são menos prováveis ou inadequadas: broncopneumonia seria uma complicação pulmonar, mas a distensão abdominal aponta para causa abdominal; resistência aos antibióticos é uma possibilidade, mas a investigação da fonte é prioritária; obstrução intestinal pode causar distensão, mas a febre e hipotensão sugerem infecção; e tromboembolismo pulmonar não explicaria a distensão abdominal e a febre em picos. A identificação e, se possível, a drenagem do abscesso são cruciais para a resolução do quadro séptico.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de um abscesso intracavitário pós-operatório?

Os sinais incluem febre persistente ou em picos, dor abdominal localizada ou difusa, distensão abdominal, íleo prolongado, leucocitose e, em casos graves, sinais de sepse como hipotensão e taquicardia.

Por que a tomografia computadorizada é o melhor exame para abscesso abdominal?

A TC de abdome total com contraste é o exame de imagem de escolha por sua alta sensibilidade e especificidade na detecção de coleções líquidas, permitindo a localização precisa, avaliação do tamanho e relação com estruturas adjacentes, além de guiar possíveis drenagens percutâneas.

Quais fatores aumentam o risco de abscesso pós-operatório em apendicite?

Fatores de risco incluem apendicite perfurada, presença de abscesso inicial, imunossupressão (uso de corticoides), idade avançada, comorbidades e contaminação da cavidade abdominal durante a cirurgia.

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