USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Menino, 12 anos, submetido a apendicectomia há 10 dias. Refere internação prolongada na ocasião da cirurgia, relacionada a perfuração do apêndice e peritonite difusa. Recebeu alta hospitalar no 4° pós operatório afebril, aceitando dieta via oral e com evacuações presentes. Há dois dias refere febre, parada da eliminação de flatus e fezes, vômito (um episódio) e dor abdominal. Exame físico: abdome distendido, ruídos hidroaéreos abolidos, dor à palpação profunda. Ferida operatória com hiperemia. Qual o diagnóstico mais provável?
Pós-apendicectomia perfurada + febre + dor + íleo = Abscesso intra-abdominal.
Após apendicectomia complicada por perfuração e peritonite, o surgimento de febre, dor abdominal, distensão e íleo paralítico tardio sugere fortemente a formação de um abscesso intra-abdominal. A hiperemia da ferida operatória pode ser um achado associado, mas o quadro sistêmico e abdominal aponta para uma coleção mais profunda.
O abscesso intra-abdominal é uma complicação grave e relativamente comum após apendicectomia, especialmente em casos de apendicite perfurada e peritonite difusa. A incidência pode variar, mas é crucial reconhecê-lo precocemente para evitar morbidade e mortalidade significativas. A suspeita clínica é fundamental, pois os sintomas podem ser inespecíficos e mascarados pelo pós-operatório. A fisiopatologia envolve a contaminação da cavidade peritoneal por conteúdo intestinal, levando à formação de coleções purulentas que podem ser encapsuladas. O diagnóstico é baseado na história clínica de febre, dor abdominal, distensão, íleo paralítico e leucocitose, após um período inicial de melhora pós-operatória. Exames de imagem como ultrassonografia e tomografia computadorizada são essenciais para localizar e caracterizar o abscesso. O tratamento consiste na drenagem do abscesso, que pode ser percutânea guiada por imagem ou cirúrgica, associada a antibioticoterapia de amplo espectro para cobrir germes entéricos. O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, mas atrasos no diagnóstico e manejo podem levar a sepse e falência de múltiplos órgãos.
Febre persistente ou recorrente, dor abdominal, distensão, náuseas/vômitos, íleo paralítico prolongado ou recorrente e leucocitose são sinais comuns que indicam a formação de um abscesso intra-abdominal.
O abscesso de cavidade geralmente cursa com sintomas sistêmicos mais pronunciados, íleo e dor abdominal difusa ou profunda, enquanto o abscesso de parede se manifesta com sinais inflamatórios localizados na incisão cirúrgica, como hiperemia e dor à palpação superficial.
A suspeita clínica deve ser confirmada por exames de imagem, como ultrassonografia ou tomografia computadorizada de abdome, seguidos de drenagem percutânea ou cirúrgica e antibioticoterapia de amplo espectro para cobrir germes entéricos.
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