Abscesso Pós-Apendicectomia: Diagnóstico por Imagem

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2022

Enunciado

Após uma apendicectomia realizada por vídeo, com presença de peritonite generalizada, o paciente vinha com boa evolução, aceitando dieta líquida, caminhando, em uso de ceftriaxona e metronidazol, sem febre ou dor abdominal. Porém, no sétimo dia pós-operatório, teve piora da dor em fossa ilíaca direita, sem sinais de irritação peritoneal, e o dreno passou a apresentar aspecto seroso. Nos exames, teve  aumento de leucócitos de 13 mil para 16 mil e de proteína C-reativa de 13 para 18, nas últimas 24 horas. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada.

Alternativas

  1. A) laparotomia
  2. B) laparoscopia
  3. C) mudança de antibiótico e observação por 48 horas
  4. D) ultrassonografia
  5. E) tomografia

Pérola Clínica

Piora clínica pós-apendicectomia com peritonite → suspeitar abscesso intra-abdominal → TC de abdome para diagnóstico.

Resumo-Chave

A piora da dor abdominal, leucocitose e PCR elevadas no pós-operatório tardio de apendicectomia com peritonite, mesmo sem irritação peritoneal franca, sugere complicação como abscesso intra-abdominal. A tomografia computadorizada é o exame de imagem de escolha para identificar coleções e guiar o tratamento.

Contexto Educacional

O abscesso intra-abdominal é uma complicação séria e relativamente comum após apendicectomia, especialmente em casos de apendicite complicada com peritonite generalizada. A incidência varia, mas pode ser maior em pacientes com perfuração ou contaminação extensa. É crucial para o residente reconhecer os sinais de alerta, pois o diagnóstico e tratamento precoces são fundamentais para evitar morbidade e mortalidade. Clinicamente, a suspeita surge com a piora do estado geral do paciente, dor abdominal persistente ou localizada, febre, taquicardia, leucocitose e elevação da PCR, geralmente a partir do 5º ao 7º dia pós-operatório. Embora o dreno possa estar seroso, isso não exclui a formação de abscesso. A tomografia computadorizada de abdome e pelve com contraste é o método diagnóstico de escolha, oferecendo alta sensibilidade e especificidade para identificar coleções e guiar possíveis drenagens percutâneas. O tratamento do abscesso intra-abdominal geralmente envolve drenagem (percutânea guiada por imagem ou cirúrgica) e antibioticoterapia de amplo espectro, cobrindo germes entéricos. A escolha da abordagem depende do tamanho, localização e número dos abscessos, bem como da condição clínica do paciente. A falha em diagnosticar e tratar adequadamente pode levar a sepse, falência de múltiplos órgãos e prolongamento da internação.

Perguntas Frequentes

Quais sinais sugerem abscesso intra-abdominal pós-apendicectomia?

Sinais incluem piora da dor abdominal, febre, leucocitose persistente ou ascendente, e elevação da proteína C-reativa, geralmente após o 5º dia pós-operatório, mesmo com dreno seroso.

Por que a tomografia é a melhor conduta nesse cenário?

A tomografia computadorizada de abdome e pelve é o exame de imagem mais sensível para detectar coleções intra-abdominais, como abscessos, e definir sua localização e tamanho, auxiliando no planejamento terapêutico.

Quais outras complicações podem ocorrer após apendicectomia com peritonite?

Além do abscesso intra-abdominal, outras complicações incluem fístula enterocutânea, obstrução intestinal por bridas, infecção de sítio cirúrgico e trombose venosa profunda.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo