HOA - Hospital de Olhos de Aparecida de Goiânia (GO) — Prova 2024
Letícia, uma menina de 6 anos, foi submetida a uma apendicectomia 24 horas atrás. Ela agora se queixa de dor abdominal intensa, distensão e febre. Qual é a complicação pós-operatória mais provável neste caso?
Dor abdominal intensa, distensão e febre 24h pós-apendicectomia → suspeitar de abscesso intra-abdominal.
A dor abdominal intensa, distensão e febre que surgem nas primeiras 24-48 horas após uma apendicectomia, especialmente em crianças, são sinais de alerta para complicações infecciosas graves, como um abscesso intra-abdominal. Este quadro é mais provável em casos de apendicite perfurada ou complicada.
O abscesso intra-abdominal é uma das complicações infecciosas mais comuns e sérias após uma apendicectomia, especialmente em casos de apendicite complicada (perfurada ou gangrenosa). A incidência é maior em crianças devido à dificuldade diagnóstica precoce da apendicite, que frequentemente leva a um estágio mais avançado da doença no momento da cirurgia. A formação de um abscesso ocorre quando há extravasamento de conteúdo purulento ou fecal na cavidade abdominal, que é contido e encapsulado pelo omento e alças intestinais. Clinicamente, o paciente pode apresentar um período inicial de melhora pós-operatória, seguido por uma piora súbita com dor abdominal intensa e localizada, distensão abdominal, febre persistente ou recorrente, taquicardia e leucocitose. Esses sintomas, que surgem geralmente entre 24 horas e uma semana após a cirurgia, devem levantar alta suspeita. O diagnóstico é confirmado por exames de imagem, como ultrassonografia ou tomografia computadorizada do abdome, que identificam a coleção líquida. O tratamento envolve antibioticoterapia adequada, cobrindo patógenos entéricos, e a drenagem do abscesso. A drenagem pode ser percutânea, guiada por ultrassom ou TC, ou cirúrgica, dependendo do tamanho, localização e acessibilidade do abscesso. A identificação e o manejo precoces são cruciais para evitar complicações mais graves, como sepse e peritonite difusa.
Os principais fatores de risco incluem apendicite perfurada ou gangrenosa, presença de peritonite difusa no momento da cirurgia, tempo cirúrgico prolongado, técnica cirúrgica inadequada e imunossupressão do paciente.
O diagnóstico é baseado na suspeita clínica (febre, dor abdominal, distensão, leucocitose) e confirmado por exames de imagem, sendo a ultrassonografia e a tomografia computadorizada (TC) do abdome e pelve os métodos mais sensíveis para identificar coleções líquidas.
A conduta inicial geralmente envolve antibioticoterapia de amplo espectro, cobrindo germes gram-negativos e anaeróbios. Em muitos casos, é necessária a drenagem percutânea guiada por imagem ou, se falha, a drenagem cirúrgica.
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