USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023
Mulher de 70 anos, com dor abdominal inicialmente no andar inferior do abdome que migrou para hemi abdome direito e, principalmente, na fossa ilíaca direita associada a cerca de 5 evacuações diárias sem sangue ou muco há 15 dias. Há 12 dias, em serviço externo, iniciou tratamento para infecção do trato urinário com antibiótico. Houve discreta melhora e foi submetida a exame de imagem que motivou o encaminhamento para hospital terciário. Na admissão estava consciente e orientada, desidratada +/4+, frequências cardíaca de 78 batimentos por minuto e respiratória de 18 incursões por minuto e saturação de oxigênio de 95%. O abdome era globoso, distendido, com ruídos hidroaéreos hipoativos, massa palpável e dolorosa no hemi abdome direito e com reação de defesa à palpação de fossa ilíaca direita. A tomografia revelou volumosa coleção parcialmente delimitada com focos gasosos com extensão para o músculo iliopsoas, a cavidade e a parede abdominal, com provável fecalito no interior. Em adição às medidas de correção das alterações sistêmicas e antibioticoterapia, qual a abordagem a ser adotada?
Abscesso abdominal volumoso com focos gasosos e fecalito → Drenagem percutânea guiada por imagem é a conduta inicial.
A paciente apresenta um quadro de abscesso abdominal volumoso, provavelmente secundário a uma diverticulite complicada (pela idade, localização da dor e presença de fecalito), com extensão para o músculo iliopsoas e focos gasosos. A drenagem percutânea guiada por imagem é a abordagem inicial preferencial para abscessos bem delimitados, pois é menos invasiva que a cirurgia e permite controle da infecção.
Abscessos intra-abdominais são coleções localizadas de pus que podem surgir como complicação de diversas condições, como diverticulite, apendicite, doença inflamatória intestinal, cirurgias abdominais ou infecções pélvicas. A apresentação clínica pode variar, mas dor abdominal, febre e leucocitose são achados comuns. Em idosos, os sintomas podem ser atenuados, dificultando o diagnóstico. A tomografia computadorizada é o método de imagem de escolha para diagnosticar e caracterizar abscessos abdominais, fornecendo informações sobre localização, tamanho, presença de gás e relação com estruturas adjacentes. A presença de um fecalito sugere uma origem diverticular. A extensão para o músculo iliopsoas indica um abscesso complexo que pode causar dor significativa e dificuldade de deambulação. O tratamento de um abscesso abdominal geralmente envolve antibioticoterapia sistêmica e drenagem da coleção. A drenagem percutânea guiada por imagem (ultrassom ou TC) é a abordagem preferencial para abscessos bem definidos e acessíveis, pois é minimamente invasiva e eficaz. A cirurgia (laparotomia ou laparoscopia) é reservada para abscessos que não são passíveis de drenagem percutânea, falha da drenagem, ou quando há outras indicações cirúrgicas, como peritonite difusa ou perfuração intestinal.
Os sinais e sintomas de um abscesso abdominal incluem dor abdominal localizada, febre, massa palpável, leucocitose, e sinais de sepse. A dor pode ser insidiosa e a apresentação atípica em idosos.
A drenagem percutânea é indicada para abscessos bem delimitados, uniloculares ou multiloculares acessíveis, com volume significativo, e em pacientes estáveis. É a primeira linha de tratamento para muitos abscessos intra-abdominais.
A drenagem percutânea é menos invasiva, tem menor morbidade e mortalidade, menor tempo de internação e recuperação mais rápida. Evita uma laparotomia em muitos casos, especialmente em pacientes de alto risco cirúrgico.
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