UFMA/HU-UFMA - Hospital Universitário da UFMA (MA) — Prova 2015
Paciente de 45 anos de idade, sexo feminino, com relato recente de dor abdominal em andar superior, associado a náuseas, vômitos, febre, calafrios, colúria e icterícia. Após investigação diagnóstica, o quadro de colecistite aguda calculosa com coledocolitíase e colangite. Submetida à papilotomia endoscópica com coledocolitotomia e colecistectomia videolaparoscópica. Duas semanas após o procedimento cirúrgico, evoluiu com dor em hipocôndrio direito, febre, calafrios e queda no estado geral. Submeteu-se à tomografia computadorizada do abdome que evidenciou a presença de abscesso hepático único, com 11 x 8 x 7 cm de diâmetros em segmento V do fígado. Assinale a alternativa INCORRETA:
Abscesso hepático piogênico pós-colangite: drenagem + ATB empírica para Gram-negativos entéricos (não Gram-positivos).
Abscessos hepáticos piogênicos, especialmente após colangite, são predominantemente causados por bactérias Gram-negativas entéricas. A antibioticoterapia empírica inicial deve cobrir esses patógenos, e não primariamente Gram-positivos como a vancomicina.
O abscesso hepático piogênico é uma condição grave que pode surgir como complicação de infecções intra-abdominais, como colangite, colecistite, apendicite ou diverticulite. A obstrução biliar, seja por cálculos ou neoplasias, é um fator de risco significativo, pois facilita a ascensão de bactérias do trato gastrointestinal para o fígado. O diagnóstico e manejo adequados são cruciais para prevenir a sepse e outras complicações fatais. A fisiopatologia do abscesso hepático piogênico frequentemente envolve a disseminação bacteriana através do sistema biliar ou da veia porta. Por essa razão, a flora bacteriana predominante é composta por germes Gram-negativos entéricos (como E. coli, Klebsiella spp.) e anaeróbios (Bacteroides spp.). O lobo direito do fígado é mais comumente afetado devido ao maior fluxo sanguíneo portal que recebe. O manejo do abscesso hepático piogênico é multimodal, combinando drenagem (percutânea guiada por ultrassom ou TC, ou cirúrgica) com antibioticoterapia sistêmica. A escolha empírica do antibiótico deve ser direcionada para cobrir os patógenos mais prováveis, ou seja, Gram-negativos entéricos e anaeróbios. Portanto, iniciar com vancomicina (que cobre principalmente Gram-positivos) sem cobertura adequada para Gram-negativos seria um erro grave na conduta inicial, até que os resultados das culturas estejam disponíveis para guiar a terapia específica.
A principal via de infecção para abscessos hepáticos piogênicos é a via biliar (colangite ascendente), seguida pela via portal (apendicite, diverticulite), via arterial (septicemia) e por contiguidade de infecções adjacentes ou trauma penetrante.
Os abscessos hepáticos piogênicos são frequentemente polimicrobianos, com predomínio de bactérias Gram-negativas entéricas, como Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae e Bacteroides fragilis. Enterococos também podem ser encontrados.
O tratamento envolve a drenagem do abscesso, que pode ser percutânea guiada por imagem ou cirúrgica, combinada com antibioticoterapia sistêmica prolongada. A escolha do antibiótico empírico deve cobrir Gram-negativos entéricos e anaeróbios, sendo ajustada após cultura e antibiograma.
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