UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2025
Paciente de 75 anos, hipertensa e diabética, submetia a colecistectomia de urgência por colecistite aguda complicada com empiema há 07 dias. Retorna ao Pronto Socorro após a alta hospitalar com quadro de febre, desconforto em hipocôndrio direito, sem icterícia. Após exames diagnósticos foi evidenciado lesão hipodensa sugestiva de abscesso hepático em seguimento VI, de 5x6cm, de aproximadamente 150ml, superficial. Diante do quadro, considerando estar em hospital terciário sem restrições propedêuticas, indique qual a melhor opção terapêutica:
Abscesso hepático piogênico >5 cm, uniloculado e acessível → Drenagem percutânea guiada por imagem + antibioticoterapia de amplo espectro.
Para abscessos hepáticos piogênicos volumosos (>5 cm), a antibioticoterapia isolada é insuficiente. A drenagem percutânea guiada por imagem (USG ou TC) é o padrão-ouro, pois é minimamente invasiva, eficaz no controle do foco infeccioso e apresenta menor morbimortalidade que a abordagem cirúrgica aberta.
O abscesso hepático piogênico é uma coleção purulenta localizada no parênquima do fígado, sendo uma condição grave com mortalidade significativa se não tratada adequadamente. As causas mais comuns incluem infecções da via biliar (colangite, colecistite), disseminação hematogênica pela veia porta (ex: diverticulite, apendicite) ou artéria hepática (endocardite), ou inoculação direta por trauma ou pós-operatório, como no caso apresentado. A apresentação clínica clássica envolve febre, dor em hipocôndrio direito e mal-estar. O diagnóstico é confirmado por exames de imagem, como ultrassonografia ou, preferencialmente, tomografia computadorizada de abdome, que define com precisão o tamanho, número, localização e características do abscesso (uniloculado vs. multiloculado). Hemoculturas e cultura do material drenado são essenciais para guiar a antibioticoterapia. O tratamento se baseia em dois pilares: antibioticoterapia e drenagem da coleção. Para abscessos pequenos (< 3-5 cm), a antibioticoterapia isolada pode ser suficiente. No entanto, para abscessos maiores, uniloculados e em localização acessível, a drenagem percutânea guiada por USG ou TC é o procedimento de escolha. É um método seguro, eficaz e menos invasivo que a cirurgia. A drenagem cirúrgica (aberta ou laparoscópica) fica reservada para casos de falha do tratamento percutâneo, abscessos multiloculados ou rotos.
Os sinais típicos incluem febre persistente ou recorrente, dor ou desconforto no hipocôndrio direito, calafrios, mal-estar e leucocitose, surgindo dias a semanas após o procedimento. A icterícia é menos comum, mas pode ocorrer se houver compressão de vias biliares.
Para abscessos pequenos, especialmente se múltiplos, a antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro por 4 a 6 semanas pode ser tentada como tratamento inicial isolado. O paciente deve ser monitorado de perto com exames de imagem seriados para garantir a resolução da coleção.
A abordagem cirúrgica é reservada para casos de falha da drenagem percutânea, abscessos multiloculados complexos, ruptura do abscesso com peritonite, ou quando há uma patologia intra-abdominal associada que necessite de correção cirúrgica, como uma fístula biliar.
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