Abscesso Hepático Piogênico: Diagnóstico e Manejo

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2024

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 48 anos, diabético, é internada com quadro de dor em peso em quadrante superior direito do abdome acompanhado de febre noturna com calafrios, náuseas e vômitos há cerca de 2 semanas. Refere ser portadora de colelitíase e relata internação há 1 mês com quadro de colecistite acompanhada de icterícia e febre, sendo tratada clinicamente. Ao exame físico, se apresenta em bom estado geral, afebril, levemente ictérica, hemodinamicamente estável. Seu abdome é doloroso à palpação em quadrante superior direito, com sinal de Murphy ausente e hepatomegalia palpável. Na investigação laboratorial, chama a atenção leucograma de 18.000, elevação de transaminases e fosfatase alcalina. A ultrassonografia evidenciou lesão hipoecoica bem definida em lobo direito do fígado, contendo debris, sem fluxo interno ao doppler, com cerca de 8cm de diâmetro. Sobre o caso descrito, assinale a alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) O próximo passo na avaliação deste paciente é a tomografia computadorizada com contraste venoso, para confirmação diagnóstica.
  2. B) Apesar da aspiração por agulha, guiada por ultrassonografia, provavelmente ser falha como modalidade terapêutica para este caso, ela pode ser indicada para coleta de material para cultura.
  3. C) Os dados acima nos permitem afirmar que a antibioticoterapia de amplo espectro como modalidade única de tratamento apresenta altos índices de resolutividade para estes casos.
  4. D) A drenagem percutânea, guiada por tomografia, é opção terapêutica bastante adequada para o caso.

Pérola Clínica

Abscesso hepático piogênico >5cm → drenagem percutânea + ATB. ATB isolado tem baixa resolutividade para abscessos grandes.

Resumo-Chave

Abscessos hepáticos piogênicos grandes (geralmente >5cm) requerem drenagem (percutânea ou cirúrgica) além da antibioticoterapia. A antibioticoterapia isolada é ineficaz para a maioria dos abscessos grandes, especialmente aqueles com debris, como no caso descrito.

Contexto Educacional

O abscesso hepático piogênico é uma coleção de pus no parênquima hepático, geralmente resultante de infecção bacteriana. É mais comum em pacientes com condições predisponentes como doenças biliares (colelitíase, colecistite, colangite), diabetes mellitus e imunossupressão. A apresentação clínica típica inclui dor no quadrante superior direito do abdome, febre com calafrios, náuseas e vômitos, e pode haver icterícia. O diagnóstico é feito pela combinação de achados clínicos, laboratoriais (leucocitose, elevação de transaminases e fosfatase alcalina) e de imagem. A ultrassonografia é um bom método de triagem, mas a tomografia computadorizada com contraste oferece maior sensibilidade e especificidade para caracterizar a lesão, determinar seu tamanho e número, e planejar a drenagem. A cultura do material aspirado é crucial para guiar a antibioticoterapia. O tratamento do abscesso hepático piogênico envolve antibioticoterapia de amplo espectro, ajustada após os resultados da cultura, e drenagem. Para abscessos maiores que 5 cm, a drenagem percutânea guiada por ultrassonografia ou tomografia é a modalidade de escolha, com alta taxa de sucesso. A antibioticoterapia isolada raramente é suficiente para abscessos grandes ou multiloculados, e a falha em drenar adequadamente pode levar a complicações graves e prolongamento da doença.

Perguntas Frequentes

Quais são os fatores de risco para abscesso hepático piogênico?

Fatores de risco incluem doenças do trato biliar (colelitíase, colecistite, colangite), diabetes mellitus, imunossupressão, diverticulite e apendicite, que podem levar à disseminação bacteriana para o fígado.

Quando a drenagem é indicada para abscesso hepático?

A drenagem é indicada para abscessos hepáticos piogênicos com diâmetro maior que 5 cm, abscessos múltiplos, ou quando há falha da antibioticoterapia isolada. Pode ser realizada por via percutânea guiada por imagem ou cirurgicamente.

Qual o papel da ultrassonografia e tomografia no diagnóstico de abscesso hepático?

A ultrassonografia é frequentemente o exame inicial, identificando a lesão. A tomografia computadorizada com contraste oferece melhor detalhamento da lesão, sua extensão, relação com estruturas adjacentes e pode guiar procedimentos de drenagem.

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