Abscesso Hepático: Diagnóstico e Drenagem Percutânea

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2022

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 48 anos, apresenta história de picos febris diários que evoluiu com dor contínua e progressiva, em hipocôndrio direito, associada a náuseas e vômitos. Evolução de 2 semanas. Ao exame físico, apresenta-se em BEG, eupneico, febril, ictérico ++/4, hemodinamicamente estável. Seu abdome é plano, flácido, doloroso à palpação profunda em hipocôndrio direito, sem irritação peritoneal. Hepatomegalia palpável. Leucograma: 18.000. A ultrassonografia de abdome evidência volumosa coleção heterogênea, com debris em seu interior, em lobo hepático direito, com cerca de 15cm no maior diâmetro. Sobre o caso acima, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) A determinação da etiologia do caso é essencial para o direcionamento terapêutico e escolha da abordagem invasiva do tratamento.
  2. B) A evolução sub-aguda do caso nos permite inferir que o tratamento clínico para amebíase será resolutivo para o caso.
  3. C) A drenagem percutânea da loja, guiada por tomografia, pode ser opção adequada à drenagem via laparotomia.
  4. D) O perfil laboratorial esperado para o caso inclui anemia severa, hipoalbuminemia, hiperbilirrubinemia indireta e transaminases normais.

Pérola Clínica

Abscesso hepático volumoso (>5cm) com debris → drenagem percutânea guiada + ATB é preferível à cirurgia aberta.

Resumo-Chave

Abscessos hepáticos, especialmente os piogênicos, frequentemente requerem drenagem. A abordagem percutânea guiada por imagem (USG ou TC) é minimamente invasiva e tão eficaz quanto a cirúrgica para a maioria dos casos, sendo a primeira escolha para coleções maiores ou com debris.

Contexto Educacional

O abscesso hepático é uma coleção purulenta no fígado, que pode ser piogênica (mais comum) ou amebiana. A incidência varia globalmente, sendo mais prevalente em regiões com saneamento precário para a forma amebiana. É uma condição grave que exige diagnóstico e tratamento rápidos para evitar complicações como sepse e ruptura. A apresentação clínica é inespecífica, com febre, dor abdominal e icterícia, tornando a suspeita clínica crucial. O diagnóstico é confirmado por exames de imagem como ultrassonografia ou tomografia computadorizada, que revelam a coleção hepática. A etiologia (piogênica vs. amebiana) é determinada por cultura do aspirado ou sorologia. A fisiopatologia envolve a disseminação de bactérias por via biliar, portal ou arterial, ou por contiguidade de infecções adjacentes. A identificação precoce é vital para um desfecho favorável. O tratamento padrão inclui antibioticoterapia sistêmica e, na maioria dos casos, drenagem da coleção. A drenagem percutânea guiada por imagem é a abordagem de escolha para abscessos maiores que 5 cm, oferecendo menor morbidade em comparação com a cirurgia aberta. A cirurgia é reservada para falha da drenagem percutânea, abscessos múltiplos complexos ou complicações como ruptura. O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas de um abscesso hepático?

Os principais sinais e sintomas incluem febre (muitas vezes em picos), dor em hipocôndrio direito, náuseas, vômitos, hepatomegalia e icterícia. Laboratorialmente, é comum encontrar leucocitose e elevação de marcadores inflamatórios.

Quando a drenagem percutânea é indicada para abscesso hepático?

A drenagem percutânea é indicada para abscessos hepáticos maiores que 5 cm, ou para aqueles que não respondem à antibioticoterapia isolada. É a abordagem de escolha para a maioria dos abscessos piogênicos e amebianos volumosos.

Qual a diferença entre abscesso hepático piogênico e amebiano no tratamento?

O abscesso piogênico geralmente requer drenagem (percutânea ou cirúrgica) além de antibioticoterapia de amplo espectro. O abscesso amebiano, por outro lado, responde bem ao metronidazol e a drenagem é reservada para casos de grande volume, risco de ruptura ou falha terapêutica.

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