INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014
Um homem com 35 anos de idade, etilista há 20 anos, procura a Unidade Básica de Saúde com queixa de dor moderada em hipocôndrio direito, febre não aferida, calafrios há 15 dias. Ao exame físico apresenta temperatura axilar de 38°C, fígado aumentado e dor à palpação abdominal em hipocôndrio direito. Uma imagem da ultrassonografia abdominal é mostrada abaixo: O diagnóstico correto e o próximo passo na conduta em relação a esse paciente são:
Febre + dor em hipocôndrio direito + imagem hipoecoica → Abscesso hepático (Drenagem + ATB).
O abscesso hepático manifesta-se com a tríade de febre, dor abdominal e hepatomegalia. O manejo imediato envolve estabilização clínica, antibioticoterapia e drenagem da coleção.
O abscesso hepático é uma condição potencialmente fatal se não diagnosticada precocemente. A apresentação clínica pode ser insidiosa, especialmente em idosos, mas a presença de febre alta, calafrios e dor à palpação do hipocôndrio direito deve sempre levantar a suspeita. Laboratorialmente, observa-se leucocitose com desvio à esquerda e elevação de provas de atividade inflamatória (PCR e VHS), além de possível alteração de enzimas canaliculares. A ultrassonografia é o exame inicial de escolha pela alta sensibilidade e baixo custo, mostrando coleções hipoecoicas ou complexas. A tomografia computadorizada com contraste oferece melhor detalhamento anatômico e ajuda a identificar a fonte primária da infecção. O tratamento baseia-se no binômio drenagem (preferencialmente percutânea) e antibioticoterapia de amplo espectro, inicialmente empírica (geralmente cobrindo gram-negativos entéricos e anaeróbios) e posteriormente ajustada conforme cultura do material drenado.
As causas mais comuns envolvem infecções ascendentes do trato biliar (colangite, colecistite), disseminação via veia porta (apendicite, diverticulite), disseminação hematogênica arterial (sepse) ou trauma direto. Os patógenos mais frequentemente isolados incluem Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae e espécies de Streptococcus. Em pacientes diabéticos, a Klebsiella tem se tornado um agente prevalente e associado a abscessos mais agressivos e síndromes de disseminação metastática.
A maioria dos abscessos hepáticos piogênicos requer drenagem associada à antibioticoterapia. A drenagem percutânea (por agulha ou cateter) guiada por ultrassonografia ou tomografia é o método de escolha por ser menos invasivo. Indicações para drenagem imediata incluem abscessos grandes (> 5 cm), risco de ruptura iminente, febre persistente após 48-72h de ATB ou abscessos no lobo esquerdo (pelo risco de ruptura para o pericárdio). Abscessos múltiplos ou muito pequenos podem, em casos selecionados, ser tratados apenas com antibióticos prolongados.
O abscesso amebiano (Entamoeba histolytica) geralmente ocorre em pacientes mais jovens, com história de viagem para áreas endêmicas e apresenta-se frequentemente como lesão única no lobo direito. O aspirado tem aspecto clássico de 'pasta de anchova'. O abscesso piogênico tende a ocorrer em pacientes mais velhos, com comorbidades biliares ou diabetes, e frequentemente é múltiplo. A sorologia para amebíase e a cultura do aspirado são definitivas para a diferenciação, embora o tratamento empírico inicial muitas vezes cubra ambos até o resultado dos exames.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo