SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2024
Homem de 65 anos atendido na emergência com quadro de dor em hipocôndrio e flanco direitos há uma semana, com piora nas últimas 48 horas. Há cerca de três semanas, havia sido internado para tratamento por diverticulite aguda do sigmóide, complicada com pequeno abscesso pericólico e resolvida com antibióticos por via parenteral. No exame físico, pressão arterial = 116/75 mmHg, frequência cardíaca =119 bpm, frequência respiratória = 20 IRPM e temperatura axilar de 38,6°C. O exame abdominal mostrava dor leve à palpação de hipocôndrio direito. Foi solicitada ultrassonografia de abdome na urgência, que evidenciou a presença de duas lesões ovaladas no lobo direito do fígado, com cerca de seis centímetros cada uma, com aparente presença de líquido e gás em seu interior. O paciente foi encaminhado para a drenagem percutânea, guiada por tomografia, com resolução completa do quadro. Considerando a situação clínica exposta, qual via de disseminação mais comumente se relaciona com o desenvolvimento das lesões hepáticas descritas?
Diverticulite + abscesso hepático → disseminação via veia porta.
Abscessos hepáticos piogênicos secundários a infecções intra-abdominais, como a diverticulite, são mais comumente causados pela disseminação bacteriana através do sistema venoso portal. As bactérias da infecção primária migram para o fígado via veia porta.
Abscessos hepáticos piogênicos são coleções de pus no fígado, geralmente resultantes de infecções bacterianas. Eles representam uma complicação grave de diversas condições, sendo as infecções intra-abdominais, como a diverticulite aguda, uma das causas mais comuns. A compreensão da via de disseminação é crucial para o diagnóstico e manejo. A via de disseminação mais comum para bactérias que causam abscessos hepáticos a partir de infecções no trato gastrointestinal (como a diverticulite do sigmóide) é a hematogênica, através do sistema venoso portal. As veias mesentéricas drenam o intestino e se unem para formar a veia porta, que leva o sangue diretamente para o fígado. Assim, bactérias da infecção primária podem embolizar para o fígado, formando abscessos. Para residentes, é fundamental reconhecer a associação entre infecções intra-abdominais e abscessos hepáticos. A suspeita clínica, aliada a exames de imagem como ultrassonografia ou tomografia, permite o diagnóstico precoce e a instituição do tratamento adequado, que geralmente envolve antibioticoterapia e drenagem percutânea, melhorando o prognóstico do paciente.
Fatores de risco incluem infecções intra-abdominais (diverticulite, apendicite, colecistite), doenças biliares, trauma hepático e imunossupressão, que podem levar à disseminação bacteriana para o fígado.
O diagnóstico é feito com base na clínica (febre, dor abdominal, calafrios), exames laboratoriais (leucocitose, PCR elevado) e exames de imagem como ultrassonografia ou tomografia de abdome, que identificam as coleções.
O tratamento envolve antibioticoterapia sistêmica de amplo espectro e, na maioria dos casos, drenagem da coleção, que pode ser percutânea guiada por imagem ou, em situações específicas, cirúrgica.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo