Abscesso Esplênico: Diagnóstico, Etiologia e Tratamento

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2015

Enunciado

Adulto jovem, usuário de drogas injetáveis, vem ao ambulatório com quadro de dor em hipocôndrio esquerdo com aproximadamente 40 dias de evolução, acompanhado de febre diária, inapetência, mal-estar generalizado e perda de peso. A tomografia de abdome total é sugestiva de um abscesso esplênico. Assinale a alternativa INCORRETA: 

Alternativas

  1. A) A esplenectomia não deve ser indicada na presença de múltiplos abscessos esplênicos
  2. B) São agentes comumente encontrados nas culturas dos abscessos esplênicos — Staphylococcus, Salmonella, Escherichia coli, Proteus mirabilis e Streptococcus do grupo D.
  3. C) O abscesso esplênico pode ocorrer também em pacientes portadores de anemia falciforme.
  4. D) Pacientes HIV (+) são suscetíveis a desenvolver abscessos esplênicos.
  5. E) A endocardite bacteriana pode evoluir com o aparecimento de abscesso esplênico.

Pérola Clínica

Abscesso esplênico: usuário de drogas injetáveis + dor HE + febre. Múltiplos abscessos → esplenectomia pode ser indicada.

Resumo-Chave

A alternativa A está incorreta porque a esplenectomia é, de fato, uma opção terapêutica considerada em casos de múltiplos abscessos esplênicos, especialmente quando o tratamento conservador falha ou há complicações. O tratamento depende da extensão e etiologia.

Contexto Educacional

O abscesso esplênico é uma condição rara, mas grave, caracterizada pela formação de uma coleção purulenta no parênquima esplênico. Sua incidência é baixa, mas a mortalidade pode ser significativa se não for diagnosticado e tratado precocemente. É mais comum em pacientes imunocomprometidos, com histórico de trauma, endocardite bacteriana ou uso de drogas intravenosas. A fisiopatologia envolve a disseminação hematogênica de bactérias para o baço, infecção de um infarto esplênico preexistente ou disseminação por contiguidade. O diagnóstico é frequentemente suspeitado por sintomas inespecíficos como dor em hipocôndrio esquerdo, febre, mal-estar e perda de peso, sendo confirmado por exames de imagem como tomografia computadorizada de abdome. O tratamento do abscesso esplênico geralmente combina antibioticoterapia prolongada com intervenção cirúrgica ou percutânea. A drenagem percutânea é preferível para abscessos únicos e acessíveis, enquanto a esplenectomia é indicada para abscessos múltiplos, grandes, multiloculados, em casos de ruptura ou falha do tratamento conservador. A escolha da abordagem depende da condição clínica do paciente e das características do abscesso.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para abscesso esplênico?

Os principais fatores de risco incluem endocardite bacteriana, uso de drogas injetáveis, imunossupressão (como em pacientes HIV+), trauma esplênico, infecções sistêmicas e condições como anemia falciforme.

Qual a conduta inicial para um abscesso esplênico?

A conduta inicial geralmente envolve antibioticoterapia de amplo espectro. A drenagem percutânea guiada por imagem é uma opção para abscessos únicos e bem localizados, enquanto a esplenectomia é reservada para casos de múltiplos abscessos, falha da drenagem ou complicações.

Quais são os agentes etiológicos mais comuns em abscessos esplênicos?

Os agentes mais comuns incluem Staphylococcus aureus, Streptococcus spp. (especialmente do grupo D), Salmonella spp., Escherichia coli e Proteus mirabilis. A cultura do abscesso é fundamental para guiar a antibioticoterapia.

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