Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2015
Adulto jovem, usuário de drogas injetáveis, vem ao ambulatório com quadro de dor em hipocôndrio esquerdo com aproximadamente 40 dias de evolução, acompanhado de febre diária, inapetência, mal-estar generalizado e perda de peso. A tomografia de abdome total é sugestiva de um abscesso esplênico. Assinale a alternativa INCORRETA:
Abscesso esplênico: usuário de drogas injetáveis + dor HE + febre. Múltiplos abscessos → esplenectomia pode ser indicada.
A alternativa A está incorreta porque a esplenectomia é, de fato, uma opção terapêutica considerada em casos de múltiplos abscessos esplênicos, especialmente quando o tratamento conservador falha ou há complicações. O tratamento depende da extensão e etiologia.
O abscesso esplênico é uma condição rara, mas grave, caracterizada pela formação de uma coleção purulenta no parênquima esplênico. Sua incidência é baixa, mas a mortalidade pode ser significativa se não for diagnosticado e tratado precocemente. É mais comum em pacientes imunocomprometidos, com histórico de trauma, endocardite bacteriana ou uso de drogas intravenosas. A fisiopatologia envolve a disseminação hematogênica de bactérias para o baço, infecção de um infarto esplênico preexistente ou disseminação por contiguidade. O diagnóstico é frequentemente suspeitado por sintomas inespecíficos como dor em hipocôndrio esquerdo, febre, mal-estar e perda de peso, sendo confirmado por exames de imagem como tomografia computadorizada de abdome. O tratamento do abscesso esplênico geralmente combina antibioticoterapia prolongada com intervenção cirúrgica ou percutânea. A drenagem percutânea é preferível para abscessos únicos e acessíveis, enquanto a esplenectomia é indicada para abscessos múltiplos, grandes, multiloculados, em casos de ruptura ou falha do tratamento conservador. A escolha da abordagem depende da condição clínica do paciente e das características do abscesso.
Os principais fatores de risco incluem endocardite bacteriana, uso de drogas injetáveis, imunossupressão (como em pacientes HIV+), trauma esplênico, infecções sistêmicas e condições como anemia falciforme.
A conduta inicial geralmente envolve antibioticoterapia de amplo espectro. A drenagem percutânea guiada por imagem é uma opção para abscessos únicos e bem localizados, enquanto a esplenectomia é reservada para casos de múltiplos abscessos, falha da drenagem ou complicações.
Os agentes mais comuns incluem Staphylococcus aureus, Streptococcus spp. (especialmente do grupo D), Salmonella spp., Escherichia coli e Proteus mirabilis. A cultura do abscesso é fundamental para guiar a antibioticoterapia.
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