Abscesso Esplênico: Quando Indicar Esplenectomia?

HC ICC - Hospital do Câncer - Instituto do Câncer do Ceará — Prova 2025

Enunciado

Paciente de 50 anos de idade foi ao pronto-socorro com dor abdominal em hipocôndrio esquerdo, febre e mal-estar de caráter recorrente há cerca de 3 semanas. Tem história de tratamento de diverticulite de sigmoide com antibióticos há 2 meses atrás. Evoluiu coleção esplênica septada de 6 x 6 cm. Foi realizada drenagem percutânea da coleção, porém persistiu com febre. Agora, duas semanas após a drenagem e tendo feito uso correto de antibioticoterapia, o paciente está em bom estado geral, porém ainda com febre. Queixa-se ainda de dor em hipocôndrio esquerdo. Pulso: 95 bpm, PA: 110 × 80 mmHg, temperatura: 38,5 °C. O abdome é doloroso à palpação em hipocôndrio esquerdo; não tem massas palpáveis nem sinais de irritação peritoneal. Os últimos exames séricos mostram aumento da proteína C reativa (PCR) e da leucocitose. Qual é a melhor conduta para este caso?

Alternativas

  1. A) Drenagem guiada por laparoscopia.
  2. B) Esplenectomia (laparoscopia ou laparotomia).
  3. C) Manter antibioticoterapia endovenosa e observação.
  4. D) Nova drenagem guiada por radiologia intervencionista.

Pérola Clínica

Abscesso esplênico multiloculado ou refratário à drenagem → Esplenectomia.

Resumo-Chave

Em casos de abscesso esplênico septado (multiloculado) que não responde à drenagem percutânea e antibioticoterapia, a esplenectomia é o tratamento definitivo indicado.

Contexto Educacional

O abscesso esplênico é uma condição rara, mas potencialmente fatal, com mortalidade que pode chegar a 70% se não tratada. A tríade clássica de febre, dor no hipocôndrio esquerdo e esplenomegalia está presente em apenas um terço dos pacientes. O diagnóstico é consolidado por TC de abdome, que diferencia coleções únicas de multiloculadas. Historicamente, a esplenectomia era o único tratamento. Atualmente, a drenagem percutânea guiada por imagem é a primeira linha para abscessos uniloculados. Contudo, a persistência de sintomas constitucionais e marcadores inflamatórios elevados após intervenção percutânea em coleções septadas exige a transição para o tratamento cirúrgico (laparoscópico ou aberto) para evitar complicações como ruptura para cavidade peritoneal ou pleura.

Perguntas Frequentes

Quais as principais indicações para esplenectomia no abscesso esplênico?

A esplenectomia é indicada principalmente em casos de abscessos multiloculados (septados), coleções muito grandes que ocupam a maior parte do parênquima, falha na drenagem percutânea prévia, ruptura do abscesso com peritonite ou quando a etiologia é fúngica. Em pacientes com febre persistente e leucocitose mesmo após drenagem e antibioticoterapia correta, como no caso clínico apresentado, a remoção cirúrgica do órgão torna-se a conduta padrão para controle do foco infeccioso.

Por que a drenagem percutânea pode falhar em abscessos esplênicos?

A falha da drenagem percutânea ocorre frequentemente devido à natureza multiloculada da coleção. Septações internas impedem que o dreno esvazie todas as cavidades purulentas de forma eficaz. Além disso, a consistência do pus (muito espesso) ou a localização anatômica de difícil acesso podem comprometer o sucesso do procedimento. No contexto de um paciente que mantém PCR elevada e febre após 2 semanas de drenagem, a persistência de focos não drenados é a hipótese principal.

Qual a relação entre diverticulite e abscesso esplênico?

Embora menos comum que abscessos hepáticos, o abscesso esplênico pode ocorrer por disseminação hematogênica via sistema portal ou por contiguidade. No caso de diverticulite prévia, a translocação bacteriana ou uma pileflebite (tromboflebite séptica do sistema portal) podem levar à formação de coleções no baço. O tratamento da causa base é fundamental, mas uma vez estabelecido o abscesso esplênico complexo, o foco deve ser o manejo direto da coleção.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo