HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2022
Menina, 4 anos, é trazida à emergência com história prévia de quadro febril e cefaleia com duração de uma semana, tendo sido medicada com antibióticos por quadro de possível otite. Apresentou piora clínica importante nas últimas 24 horas, com aumento da intensidade da cefaleia, vômitos e letargia. No trajeto ao hospital, teve episódio de crise convulsiva tônica focal. Ao exame clínico, foi observada discreta perda de força em membro superior direito. A tomografia solicitada na emergência mostrou a seguinte imagem. Em relação ao caso clínico-tomográfico, qual é o diagnóstico mais provável?
Criança com febre, cefaleia, vômitos, crise focal e déficit neurológico pós-otite → Abscesso cerebral.
Abscessos cerebrais em crianças frequentemente resultam de infecções contíguas, como otites ou sinusites. A apresentação clínica pode ser insidiosa, com sintomas inespecíficos, evoluindo para sinais de hipertensão intracraniana, déficits focais e convulsões. A TC de crânio é crucial para o diagnóstico.
O abscesso cerebral é uma infecção focal do parênquima cerebral, com formação de uma coleção purulenta, que pode ser fatal se não diagnosticada e tratada precocemente. Em crianças, a etiologia mais comum envolve a disseminação de infecções contíguas, como otite média, sinusite ou mastoidite, ou por via hematogênica a partir de focos distantes. A incidência é maior em pacientes imunocomprometidos, mas pode ocorrer em crianças saudáveis. A fisiopatologia envolve a invasão bacteriana do tecido cerebral, levando a uma cerebrite inicial e posterior formação de cápsula. O diagnóstico é suspeitado clinicamente por uma tríade de febre, cefaleia e déficits neurológicos focais, embora nem sempre completa. A crise convulsiva é uma manifestação comum. A tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) de crânio com contraste são exames de imagem essenciais, mostrando uma lesão com realce anelar e edema. O tratamento do abscesso cerebral é uma emergência neurocirúrgica e médica. Inclui antibioticoterapia empírica de amplo espectro, que deve ser ajustada após a cultura do material aspirado, e muitas vezes drenagem cirúrgica da lesão, especialmente se houver efeito de massa significativo ou se o abscesso for grande. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e tratamento, sendo crucial a vigilância para sequelas neurológicas.
Sinais de alerta incluem cefaleia progressiva, vômitos, febre, letargia, convulsões e déficits neurológicos focais, especialmente após infecções como otite ou sinusite.
A otite média é uma via comum de disseminação bacteriana para o cérebro, tornando-se um fator de risco significativo para o desenvolvimento de abscessos cerebrais, especialmente em crianças.
A TC de crânio com contraste pode revelar uma lesão hipodensa com realce anelar, edema perilesional e efeito de massa, características típicas de um abscesso cerebral.
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