PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2019
Raul, 8 anos, previamente hígido. Na consulta, os pais referem que há 15 dias a criança vem queixando de cefaleia. Foi medicado com Amoxacilina por diagnóstico de sinusite bacteriana, porém, sem melhora. Há 3 dias iniciou com vômitos e febre. Ao exame clínico são constatados os seguintes dados significativos: febre de 39,5° C, a criança está consciente, porém, desorientada e apresenta diminuição global da força muscular em membros. Foi solicitada uma tomografia do crânio (TC) que demonstrou um nódulo à direita, de 2,5 cm de diâmetro, com desvio da linha média. Sobre o caso clínico apresentado, assinale CERTO para verdadeiro e ERRADO para falso para a afirmação a seguir: Justifica- se a hipótese diagnóstica de Abscesso Cerebral, principalmente em virtude do antecedente de sinusopatia, que faz com que a complicação mais frequente em casos de abscesso seja a sua localização em Lobo Frontal.
Sinusite frontal/etmoidal → Abscesso em lobo frontal via extensão direta ou tromboflebite de veias diploicas.
Abscessos cerebrais em crianças frequentemente resultam de infecções contíguas. A sinusite é o principal foco para abscessos no lobo frontal devido à proximidade anatômica e drenagem venosa compartilhada.
O abscesso cerebral é uma emergência neurocirúrgica e infecciosa. Em pediatria, a epidemiologia está fortemente ligada a infecções parameníngeas (sinusite, otite, mastoidite) e cardiopatias congênitas cianóticas. A localização do abscesso costuma refletir a fonte primária: lobo frontal para sinusite e lobo temporal ou cerebelo para otites/mastoidites. O manejo envolve a estabilização da pressão intracraniana, antibioticoterapia de largo espectro e, frequentemente, aspiração estereotáxica ou drenagem cirúrgica. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da magnitude do efeito de massa (desvio da linha média), como observado no caso clínico descrito.
A sinusite frontal e etmoidal pode evoluir para abscesso cerebral no lobo frontal através de dois mecanismos principais: extensão direta por erosão óssea da parede posterior do seio ou, mais comumente, por tromboflebite retrógrada através das veias diploicas sem válvulas, que conectam a mucosa sinusal ao sistema venoso intracraniano. Isso explica por que o lobo frontal é o sítio mais frequente de abscessos originados de focos sinusais.
A tríade clássica de febre, cefaleia e déficit neurológico focal está presente em menos de 50% dos casos. Frequentemente, o paciente apresenta sinais de hipertensão intracraniana (vômitos, papiledema), alterações do estado mental (desorientação, letargia) e convulsões. O antecedente de uma infecção de vias aéreas superiores tratada inadequadamente ou persistente deve sempre elevar a suspeita clínica.
A Tomografia Computadorizada (TC) com contraste ou a Ressonância Magnética (RM) são os exames de escolha. Na fase de abscesso encapsulado, observa-se uma lesão hipodensa central (necrose) com realce anelar periférico (cápsula) e edema vasogênico adjacente. A RM com difusão (DWI) é superior para diferenciar abscessos de tumores necróticos, mostrando restrição à difusão no centro do abscesso.
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