SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2022
Paciente, sexo masculino, 46 anos, submetido à retossigmoidectomia com colostomia terminal por diverticulite aguda Hinchey III, evoluindo no 8º dia de pós-operatório com febre e leucocitose, sem outros sintomas, qual a causa mais provável?
Febre e leucocitose no PO tardio (>5º dia) de cirurgia abdominal contaminada → suspeitar de abscesso cavitário.
Em pacientes submetidos a cirurgias abdominais com alto risco de contaminação, como a retossigmoidectomia por diverticulite Hinchey III, febre e leucocitose persistentes no pós-operatório tardio (após o 5º dia) sem outros sintomas localizatórios devem levantar forte suspeita de abscesso cavitário.
A febre no pós-operatório é um sinal comum, mas sua etiologia e significado variam conforme o tempo de surgimento. No pós-operatório tardio, especialmente após cirurgias abdominais complexas ou contaminadas como a retossigmoidectomia por diverticulite Hinchey III, a febre e leucocitose sem outros sintomas localizatórios devem levantar forte suspeita de abscesso cavitário. A fisiopatologia do abscesso pós-operatório envolve a contaminação da cavidade abdominal durante o procedimento, com formação de coleções purulentas que podem ser assintomáticas por alguns dias. O diagnóstico é desafiador, pois os sintomas podem ser inespecíficos. A tomografia computadorizada de abdome e pelve é o exame de imagem de escolha para identificar e localizar essas coleções. O tratamento do abscesso cavitário geralmente envolve drenagem (percutânea guiada por imagem ou cirúrgica) e antibioticoterapia de amplo espectro. A falha em diagnosticar e tratar precocemente pode levar a sepse grave e aumento da morbimortalidade. É crucial manter um alto índice de suspeita em pacientes de risco.
As principais causas incluem infecções de sítio cirúrgico (superficiais ou profundas), abscessos intra-abdominais, infecções do trato urinário, pneumonia e tromboflebite. Abscessos são particularmente comuns em cirurgias contaminadas.
A investigação deve incluir exames de imagem, como tomografia computadorizada de abdome e pelve com contraste, que é o método mais sensível para detectar coleções intra-abdominais. Exames laboratoriais e culturas também são importantes.
A classificação de Hinchey estratifica a gravidade da diverticulite. Hinchey III (peritonite purulenta) e IV (peritonite fecal) indicam maior contaminação e, consequentemente, um risco significativamente elevado de complicações infecciosas pós-operatórias, como abscessos.
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