CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2026
Paciente do sexo masculino, 48 anos, é atendido no pronto atendimento com quadro de dor epigástrica, tipo cólica, que migrou para a FID há cerca de 7 dias. Havia tido diagnóstico prévio de infecção do trato urinário e estava em tratamento domiciliar com antibióticos orais e sintomáticos, porém o quadro evoluiu com febre e vômitos e decidiu buscar uma nova reavaliação. No momento o paciente se encontra em BEG, febril (38ºC), FR: 20irpm, FC: 80bpm. P.A.: 120x80 mmHg. Seu abdome é plano, flácido, com abaulamento doloroso à palpação em FID. Sua avaliação laboratorial evidenciou leucograma com 16.000 e desvio à esquerda e PCR: 120mg/dl. Foi submetido a tomografia computadorizada que evidenciou apêndice cecal de paredes espessadas e perfurado, espessamento de ceco e coleção líquida adjacente de cerca de 6cm, bloqueada. Sobre o caso acima, assinale a alternativa CORRETA:
Abscesso apendicular > 4cm + estabilidade → Drenagem percutânea + ATB (Tratamento Conservador).
Em quadros de apendicite com evolução prolongada (>5-7 dias) e formação de abscesso bloqueado, a conduta inicial preferencial é a drenagem percutânea e antibioticoterapia, evitando a cirurgia imediata.
A apendicite aguda com apresentação tardia (geralmente superior a 5 dias) frequentemente evolui para a formação de um plastrão ou abscesso bloqueado. Nesses cenários, a tentativa de cirurgia imediata é tecnicamente difícil devido ao intenso processo inflamatório e aderências firmes, elevando o risco de complicações como fístulas enterocutâneas. A abordagem 'cool down' com antibióticos de amplo espectro e drenagem de coleções maiores que 3-4 cm é a estratégia padrão-ouro atual para estabilização do paciente. O sucesso do tratamento conservador é alto, e a maioria dos pacientes não necessita de intervenção cirúrgica na fase aguda. A monitorização clínica rigorosa é essencial: caso o paciente apresente piora da dor, febre persistente ou sinais de peritonite, a conversão para cirurgia (frequentemente laparotomia) torna-se mandatória.
A drenagem percutânea está indicada em abscessos apendiculares volumosos (geralmente maiores que 3 a 4 cm) que possuem uma janela segura para acesso por ultrassonografia ou tomografia computadorizada, desde que o paciente esteja hemodinamicamente estável e sem sinais de peritonite difusa.
Atualmente, a apendicectomia de intervalo (realizada 6 a 8 semanas após) não é mais considerada obrigatória para todos os pacientes, sendo reservada para casos de sintomas recorrentes ou em pacientes acima de 40 anos para excluir neoplasias ocultas de ceco ou apêndice.
O tratamento conservador reduz a morbidade cirúrgica, diminuindo a taxa de infecção de sítio cirúrgico, o risco de lesões inadvertidas em alças intestinais inflamadas e a necessidade de ressecções colônicas (colectomias) em ambiente infectado.
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