Abscesso Apendicular: Manejo e Drenagem Percutânea

UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2021

Enunciado

Homem, 34 anos de idade, relata dor abdominal em fossa ilíaca direita (FID) há 17 dias, associada a episódios de febre aferida de até 39ºC, hiporexia e prostação. Procurou a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em três ocasiões e há 05 dias foi dado início a antibioticoterapia com amoxicilina com ácido clavulânico por hipótese diagnóstica de infecção de trato urinário. Hoje comparece, novamente, à UPA sem melhora clínica. Ao exame físico: regular estado geral, toxemiado, febril, hipocorado (+ / 4+), acianótico, anictérico e hidratado. Sinais vitais: FC: 85 bpm; PA: 135 x 70 mmHg; semiologia do aparelho cardiorrespiratório sem alterações. Abdome semigloboso, ausência de circulação venosa colateral, ausência de corpo estranho, ruídos hidroaéreos audíveis, presença de plastrão de aproximadamente 08 cm na FID e flanco direito, dor a palpação nesta região, mas sem sinais de irritação peritoneal. Ao toque retal, nenhuma alteração. Exames laboratoriais: : Hb: 16 (valor de referência [VR] 12 a 17 g/dL // Ht: 42% (VR 36 a 50%) // VCM: 82 (VR 80 a 100 fL) // HCM: 30 (VR 28 a 32 pg) // Leuco: 28.900 (VR 5.000 a 11.000/mm³) [ basófilos 1% (VR 0 - 1%); eosinófilos 2% (VR 1 - 5%); bastões 15% (VR 1 - 5%); segmentados 82% (VR 45 - 70%) // Plaquetas: 335.200 (VR 150.000 -400.000/mm³); PCR: 128 (VR até 0,5 mg / dL); Ur: 32 (VR 10 - 50 mg / dL); Cr: 1,12 (VR para homens de 0,7 - 1,4 mg / dL); Na: 140 (VR 135 - 145 mEq/dia); K: 4,3 (VR 3,5 - 5,5 mEq/dia); EAS: sem alterações. Realizada tomografia de abdome (abaixo). Considerando o exposto, qual alternativa justifica o melhor tratamento? 

Alternativas

  1. A) Pela presença de peritonite generalizada, está indicada laparotomia exploradora e apendicectomia de resolução imediata, evitando conversão para peritonite difusa.
  2. B) Pela presença de coleção, está indicada drenagem por laparotomia exploradora e, após quatro semanas, realização de colonoscopia para afastar outro provável diagnóstico como neoplasia e avaliar necessidade de apendicectomia.
  3. C) Pela presença de peritonite generalizada, está indicada apendicectomia por incisão de McBurney e, após quatro semanas, realização de colonoscopia para afastar outro provável diagnóstico como neoplasia.
  4. D) Pela presença de abscesso, está indicada drenagem percutânea da coleção e, após quatro semanas, realização de colonoscopia para afastar outro provável diagnóstico como neoplasia e avaliar necessidade de apendicectomia.

Pérola Clínica

Plastrão/abscesso em FID + leucocitose + PCR alta + sem peritonite generalizada → Drenagem percutânea + ATB + colonoscopia tardia.

Resumo-Chave

Um plastrão ou abscesso apendicular é uma complicação da apendicite aguda que se manifesta com dor crônica em FID, massa palpável e sinais inflamatórios sistêmicos. O tratamento inicial é conservador com antibioticoterapia e, se houver abscesso bem definido, drenagem percutânea, seguida de colonoscopia e apendicectomia eletiva.

Contexto Educacional

O abscesso apendicular e o plastrão apendicular são complicações da apendicite aguda que ocorrem quando a inflamação é contida pelo omento e alças intestinais adjacentes, formando uma massa palpável na fossa ilíaca direita. Clinicamente, o paciente pode apresentar dor abdominal mais arrastada, febre e leucocitose, mas sem sinais de peritonite generalizada. A tomografia computadorizada é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico e avaliar a presença e o tamanho do abscesso. O manejo do abscesso apendicular difere da apendicite aguda não complicada. Em casos de abscesso bem definido (geralmente > 3-4 cm) e sem sinais de peritonite difusa, a abordagem inicial é conservadora, com antibioticoterapia de amplo espectro e, se indicado, drenagem percutânea guiada por imagem. A apendicectomia é postergada e realizada eletivamente após 6-8 semanas, período em que a inflamação e o edema regridem, tornando a cirurgia mais segura e com menor risco de complicações. Além disso, é crucial realizar uma colonoscopia 4-6 semanas após a resolução do quadro agudo. Isso se deve ao fato de que outras condições, como doença de Crohn ou neoplasias do ceco, podem mimetizar ou predispor à formação de um abscesso na FID. A colonoscopia permite investigar e excluir essas etiologias subjacentes, garantindo um tratamento definitivo e completo. Para residentes, a compreensão dessa abordagem faseada é essencial para evitar intervenções cirúrgicas desnecessárias ou inadequadas em um contexto de inflamação aguda.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre plastrão e abscesso apendicular?

O plastrão apendicular é uma massa inflamatória formada pelo apêndice inflamado, omento e alças intestinais adjacentes. O abscesso apendicular é a formação de uma coleção purulenta dentro do plastrão.

Quando a drenagem percutânea é indicada no abscesso apendicular?

A drenagem percutânea é indicada para abscessos apendiculares bem definidos, maiores que 3-4 cm, sem sinais de peritonite generalizada, como parte do tratamento conservador inicial.

Por que a colonoscopia é recomendada após o tratamento de um abscesso apendicular?

A colonoscopia é recomendada 4-6 semanas após a resolução do abscesso para excluir outras causas subjacentes da inflamação na FID, como doença de Crohn ou neoplasias, que podem mimetizar ou complicar a apendicite.

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