USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020
Homem, 37 anos de idade, refere dor abdominal na fossa ilíaca direita há 12 dias, acompanhada de febre de até 38ºC, perda de apetite e queda do estado geral. Procurou o serviço de urgência por duas vezes e há 6 dias foi iniciado ciprofloxacino devido à hipótese de infecção urinária. Retorna hoje ao Pronto-Socorro devido a persistência do quadro. Ao exame clínico: Regular estado geral, febril, FC:90 bpm, PA: 130x80 mmHg; Tórax sem alterações. Abdome flácido, massa palpável de cerca de 10cm na fossa ilíaca e flanco direito, dor localizada na região da massa. Sem sinais de irritação peritoneal. Toque retal sem alterações. Exames laboratoriais: Hb: 14,6 g/dL; Leuco: 26,57 mil/mm³; PCR: 324mg/dL; Creat: 1,37 mg/dl; Ureia: 51 mg/dl; demais exames normais. Realizada tomografia de abdome (imagens a seguir): Qual é o melhor tratamento?
Abscesso apendicular (massa + coleção na TC) → drenagem percutânea + ATB é o tratamento inicial.
A presença de uma massa palpável na fossa ilíaca direita, associada a um quadro arrastado de dor e inflamação, e a identificação de uma coleção na tomografia, sugere um abscesso apendicular. Nesses casos, a drenagem percutânea guiada por imagem, juntamente com antibioticoterapia, é a abordagem inicial preferencial.
O abscesso apendicular é uma complicação da apendicite aguda, que ocorre quando o processo inflamatório é contido pelo omento e alças intestinais adjacentes, formando uma massa inflamatória (plastrão) que pode evoluir para um abscesso. Clinicamente, manifesta-se com dor em fossa ilíaca direita de início mais arrastado, febre e, frequentemente, uma massa palpável. O diagnóstico é confirmado por exames de imagem, sendo a tomografia computadorizada de abdome a modalidade de escolha, que demonstra a coleção líquida ou abscesso. A leucocitose e o aumento da PCR são achados laboratoriais comuns que refletem o processo inflamatório e infeccioso. O tratamento do abscesso apendicular difere da apendicite aguda não complicada. A abordagem inicial preferencial é conservadora, com antibioticoterapia de amplo espectro e drenagem percutânea guiada por imagem da coleção. A cirurgia imediata (apendicectomia) em um abscesso bem formado é associada a maior risco de complicações. Após o controle da infecção, uma apendicectomia de intervalo pode ser considerada para prevenir recorrências, embora a necessidade desta seja debatida em alguns casos.
A suspeita surge em pacientes com história de dor em fossa ilíaca direita por vários dias, febre, massa palpável e sinais inflamatórios sistêmicos. A tomografia de abdome confirma a presença de uma coleção bem definida.
A drenagem percutânea, combinada com antibioticoterapia, permite controlar a infecção e a inflamação, transformando uma cirurgia de urgência de alto risco em um procedimento eletivo (apendicectomia de intervalo) com menor morbidade.
O tratamento padrão inclui antibioticoterapia e drenagem percutânea da coleção. A apendicectomia de intervalo é geralmente realizada 6-8 semanas após a resolução do quadro agudo para prevenir recorrências.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo