IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2024
Homem, 30 anos de idade, procura pronto-socorro por dor abdominal em flanco direito e fossa ilíaca direita há duas semanas. Nega náuseas, vômitos, alterações urinárias e intestinais. Nega comorbidades ou antecedentes cirúrgicos. Ao exame físico, encontrase em bom estado geral, com abdome globoso, flácido, doloroso à palpação do flanco direito, sem sinais de irritação peritoneal. Os exames laboratoriais evidenciam leucócitos 16.000/mm³ e PCR 30mg/dL, sem demais alterações. Realizou tomografia de abdome total, que identificou coleção de 20mL em topografia de flanco direito adjacente ao ceco, não sendo identificado o apêndice cecal, conforme imagem a seguir:Além da administração de antibióticos, qual é a próxima conduta para este paciente?
Abscesso apendicular com coleção → ATB + drenagem percutânea guiada por imagem, seguida de apendicectomia de intervalo.
A presença de uma coleção bem definida adjacente ao ceco, com sinais inflamatórios sistêmicos, sugere um abscesso apendicular. A conduta inicial para abscessos menores e bem delimitados é a antibioticoterapia associada à drenagem percutânea guiada por imagem, postergando a apendicectomia para um segundo momento (apendicectomia de intervalo).
O abscesso apendicular representa uma complicação da apendicite aguda, caracterizada pela formação de uma coleção purulenta encapsulada ao redor do apêndice. Sua incidência varia, mas é uma condição que exige manejo cuidadoso para evitar complicações maiores. A compreensão de sua fisiopatologia e apresentação clínica é crucial para o diagnóstico correto e a escolha da terapia adequada. O diagnóstico de abscesso apendicular é frequentemente suspeitado em pacientes com dor abdominal em fossa ilíaca direita de início mais insidioso, associada a febre e leucocitose. A tomografia computadorizada de abdome é o exame de imagem de escolha, revelando uma coleção líquida ou complexa na topografia do apêndice. É fundamental diferenciar o abscesso de outras causas de massa em fossa ilíaca direita, como tumores ou doenças inflamatórias intestinais. O tratamento do abscesso apendicular geralmente envolve uma abordagem conservadora inicial com antibioticoterapia de amplo espectro e, para coleções maiores ou sintomáticas, drenagem percutânea guiada por imagem. A apendicectomia de intervalo é frequentemente recomendada após a resolução do quadro agudo para prevenir recorrências e investigar a possibilidade de outras patologias subjacentes, como neoplasias.
Pacientes com abscesso apendicular podem apresentar dor abdominal em flanco ou fossa ilíaca direita, febre, leucocitose e massa palpável. A dor pode ser subaguda, diferente da apendicite aguda clássica.
A drenagem percutânea, combinada com antibióticos, permite controlar a infecção e inflamação, transformando uma cirurgia complexa em um procedimento mais seguro e eletivo (apendicectomia de intervalo), reduzindo morbidade.
A apendicectomia de intervalo é geralmente indicada 6 a 8 semanas após a resolução do abscesso, para prevenir recorrências e excluir outras patologias, como tumores, que podem mimetizar um abscesso.
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