UFRN/EMCM - Escola Multicampi de Ciências Médicas (RN) — Prova 2021
Paciente masculino, 32 anos, com quadro de dor abdominal difusa há cerca de 72h, que evoluiu para fossa ilíaca direita, de forte intensidade, associada a vômitos e anorexia. Ao exame físico tem dor importante à compressão local com abaulamento tipo massa na região e sinais de peritonite localizada. Realizou tomografia computadorizada de abdome com evidência de tumoração de aspecto inflamatório em FID e hipótese de abscesso por apendicite aguda complicada. Sobre o tratamento, qual a melhor indicação terapêutica nesse caso:
Abscesso apendicular = ATB + drenagem percutânea; apendicectomia eletiva posterior.
Em casos de apendicite aguda complicada com formação de abscesso bem delimitado, a conduta inicial ideal é a antibioticoterapia associada à drenagem percutânea guiada por imagem. A apendicectomia é postergada para um segundo momento, de forma eletiva, após a resolução do processo inflamatório agudo.
A apendicite aguda é uma das emergências cirúrgicas abdominais mais comuns. Quando não tratada precocemente, pode evoluir para complicações como perfuração, formação de plastrão apendicular ou abscesso apendicular, e peritonite difusa. O manejo dessas complicações difere do tratamento da apendicite não complicada, exigindo uma abordagem mais individualizada e cuidadosa. No caso de apendicite aguda complicada com formação de abscesso bem delimitado, como descrito no enunciado, a conduta terapêutica de escolha em pacientes estáveis é a antibioticoterapia intravenosa associada à drenagem percutânea guiada por imagem (ultrassom ou tomografia). Essa abordagem permite o controle da infecção e a resolução do abscesso, evitando uma cirurgia de urgência em um campo inflamatório, que seria mais difícil e com maior risco de complicações. Após a resolução do quadro agudo com a drenagem e antibioticoterapia, a apendicectomia é geralmente realizada de forma eletiva, em um segundo momento (apendicectomia de intervalo), tipicamente 6 a 8 semanas depois. Essa estratégia visa remover o apêndice inflamado e prevenir recorrências, além de permitir a exclusão de outras patologias, como tumores apendiculares, que podem mimetizar um abscesso.
A drenagem percutânea guiada por imagem é a melhor opção para abscessos apendiculares bem delimitados e acessíveis, especialmente em pacientes estáveis. Ela permite a resolução do processo infeccioso sem a necessidade de uma cirurgia de urgência mais complexa, minimizando riscos.
A antibioticoterapia é fundamental no tratamento do abscesso apendicular, atuando no controle da infecção bacteriana. Geralmente, são utilizados antibióticos de amplo espectro que cobrem germes gram-negativos e anaeróbios, em conjunto com a drenagem para otimizar o resultado.
A apendicectomia de intervalo é a remoção cirúrgica do apêndice realizada de forma eletiva, geralmente 6 a 8 semanas após a resolução do quadro agudo de abscesso apendicular tratado conservadoramente (com ATB e drenagem). É indicada para prevenir recorrências e para excluir neoplasias subjacentes.
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