HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2021
Homem, 76 anos, é submetido à cirurgia abdominal para ressecção de adenocarcinoma de sigmoide. Apresenta evolução favorável até o 7° dia de pós operatório quando surgem picos febris de 39°C e dor abdominal. Na revisão do quadro, o paciente encontra-se em regular estado geral, com dor moderada à palpação da região do sítio cirúrgico e demais dados de exame físico normais. O hemograma apresenta leucocitose com presença de formas jovens. O médico que o avalia decide iniciar com meropenem e vancomicina, após coleta de hemoculturas. No 3° dia após início desse esquema, é identificada Klebsiella pneumoniae produtora de beta lactamase de espectro ampliado (ESBL) nas hemoculturas. A curva térmica apresenta discreta melhora, mas o paciente persiste com dor abdominal, além de distensão e presença de massa à palpação da região do sítio cirúrgico. Hemograma mantendo o mesmo padrão e função renal preservada. Em relação ao caso clínico, qual é a conduta?
Febre pós-operatória + dor abdominal + massa palpável + Klebsiella ESBL → Suspeitar de abscesso abdominal, solicitar TC.
A persistência de febre, dor abdominal, distensão e massa palpável, mesmo após o início de antibióticos adequados para um germe isolado (Klebsiella ESBL sensível a carbapenêmicos), sugere uma coleção não drenada, como um abscesso. A tomografia de abdômen é essencial para confirmar e localizar essa coleção.
O abscesso abdominal pós-operatório é uma complicação grave, especialmente em pacientes idosos submetidos a cirurgias oncológicas abdominais. A febre persistente e a dor abdominal no pós-operatório tardio devem sempre levantar a suspeita de uma coleção infecciosa, que pode ser um abscesso, deiscência de anastomose ou infecção de sítio cirúrgico profundo. O diagnóstico é desafiador, pois os sintomas podem ser inespecíficos. A presença de massa palpável, distensão abdominal e leucocitose, mesmo com antibioticoterapia empírica, reforça a necessidade de investigação. A tomografia computadorizada de abdômen é o padrão-ouro para identificar e caracterizar abscessos intra-abdominais. O tratamento de um abscesso abdominal envolve a drenagem da coleção (percutânea guiada por imagem ou cirúrgica) e antibioticoterapia sistêmica direcionada ao patógeno. No caso de Klebsiella pneumoniae ESBL, os carbapenêmicos são a escolha principal, mas a drenagem é fundamental para o controle da infecção.
Sinais de alerta incluem febre persistente, dor abdominal localizada ou difusa, distensão abdominal, massa palpável e leucocitose com desvio à esquerda, mesmo com antibioticoterapia.
A tomografia de abdômen é o exame de imagem de escolha para identificar e localizar coleções intra-abdominais, como abscessos, que podem não ser detectados no exame físico e requerem drenagem.
A Klebsiella pneumoniae produtora de ESBL é resistente a muitas classes de antibióticos, mas geralmente sensível a carbapenêmicos (como meropenem). A identificação do germe e sua sensibilidade guiam a escolha do antibiótico, mas não exclui a necessidade de drenagem se houver abscesso.
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