Corpo Estranho Ocular: Conduta Inicial e Irrigação

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Diagnosticada uma abrasão corneana superficial com presença de corpo estranho aderido na área da lesão e não havendo instrumental para retirá-lo, o médico deve proceder inicialmente a:

Alternativas

  1. A) oclusão da lesão com pomada de corticóide
  2. B) aplicação de antibiotico tópico
  3. C) aplicação de ciclopentolato
  4. D) irrigação da região com soro fisiológico

Pérola Clínica

Corpo estranho ocular superficial sem instrumental → irrigação com soro fisiológico é a conduta inicial.

Resumo-Chave

Em casos de abrasão corneana superficial com corpo estranho aderido e sem instrumental adequado, a primeira medida a ser tomada é a irrigação abundante da região com soro fisiológico. Isso pode remover o corpo estranho e minimizar o trauma, preparando para avaliação e remoção definitiva se necessário.

Contexto Educacional

A presença de um corpo estranho na córnea é uma queixa comum em serviços de emergência, frequentemente associada a atividades ocupacionais ou recreativas. A abrasão corneana superficial resultante pode causar dor intensa, lacrimejamento, fotofobia e sensação de corpo estranho. O manejo inicial adequado é crucial para prevenir complicações e preservar a visão do paciente. A avaliação deve incluir a inspeção cuidadosa do olho, eversão da pálpebra superior e, se disponível, uso de fluoresceína para evidenciar a lesão. Na ausência de instrumental específico para remoção, a primeira e mais segura medida é a irrigação abundante do olho com soro fisiológico estéril. Esta técnica, embora simples, pode ser eficaz na remoção de corpos estranhos superficiais e na limpeza da superfície ocular, reduzindo o risco de infecção e trauma adicional. É importante orientar o paciente a não esfregar o olho e a procurar atendimento especializado caso a irrigação não seja suficiente ou se houver persistência dos sintomas. Para o residente, é fundamental conhecer a sequência correta de atendimento em emergências oftalmológicas. A irrigação é um passo inicial vital, mas é igualmente importante saber quando não insistir e encaminhar o paciente a um oftalmologista para remoção com instrumental adequado (como agulha ou broca oftálmica) e tratamento complementar (antibióticos tópicos, cicloplégicos para dor). O uso de corticoides tópicos é estritamente contraindicado em lesões abertas da córnea devido ao risco de complicações graves.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da irrigação com soro fisiológico em caso de corpo estranho ocular?

A irrigação com soro fisiológico é a primeira e mais segura tentativa de remover um corpo estranho superficial do olho. Ela ajuda a lavar partículas soltas e a diluir substâncias químicas, minimizando o trauma e o risco de lesões adicionais antes de uma avaliação mais detalhada ou remoção com instrumental específico.

Quais são os riscos de não remover um corpo estranho da córnea?

A não remoção de um corpo estranho da córnea pode levar a complicações sérias, como abrasões corneanas persistentes, úlceras de córnea (com risco de infecção bacteriana ou fúngica), cicatrizes corneanas que afetam a visão, e, em casos extremos, perfuração ocular. A dor e o desconforto também são significativos.

Quando é necessário encaminhar o paciente a um oftalmologista em caso de corpo estranho?

O encaminhamento ao oftalmologista é necessário se o corpo estranho não puder ser removido com irrigação, se estiver profundamente aderido ou penetrante, se houver suspeita de lesão intraocular, se o paciente apresentar dor intensa, diminuição da acuidade visual, ou se houver sinais de infecção após a remoção. Todo corpo estranho que não é superficial deve ser avaliado por um especialista.

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