Aborto Séptico: Diagnóstico e Tratamento Antibiótico

UNIRG - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2023

Enunciado

Paciente, 18 anos, com vida sexual ativa e heterossexual, sem uso de preservativo, apresenta episódio de sangramento vaginal há 2 horas. Relata sangramento vaginal importante, odor fétido e dor abdominal intensa. Nega violência com parceiro íntimo. Ao exame físico: regular estado geral, descorada +/4, hidratada, temperatura axilar: 38,3C, frequência cardíaca: 108bpm, pressão arterial: 100 x 60 mmHg, frequência respiratória: 22 irpm. Boa perfusão periférica, discreta dor em baixo ventre à palpação, sem sinais de peritonite. Especular: colo aberto, com odor fétido local. Ultrassonografia transvaginal: espessamento endometrial. Qual a conduta mais apropriada neste momento?

Alternativas

  1. A) Clindamicina e ampicilina.
  2. B) Ampicilina.
  3. C) Clindamicina, gentamicina e ampicilina.
  4. D) Clindamicina e gentamicina.

Pérola Clínica

Aborto séptico/endometrite grave: febre + dor + sangramento fétido → ATB empírico = Clindamicina + Gentamicina.

Resumo-Chave

A paciente apresenta quadro clínico compatível com aborto séptico ou endometrite grave, caracterizado por febre, taquicardia, dor abdominal, sangramento fétido e colo aberto. A conduta inicial é estabilização hemodinâmica e antibioticoterapia empírica de amplo espectro, sendo a combinação de Clindamicina e Gentamicina uma escolha eficaz para cobrir anaeróbios e Gram-negativos.

Contexto Educacional

O aborto séptico é uma complicação grave de abortamentos, geralmente induzidos ou incompletos, caracterizado por infecção do útero e estruturas adjacentes. É uma emergência ginecológica que pode levar à sepse, choque séptico e óbito se não tratada prontamente. A epidemiologia está ligada a abortos realizados em condições insalubres ou incompletos, sendo uma causa importante de morbimortalidade materna em regiões com acesso limitado a cuidados de saúde reprodutiva. A fisiopatologia envolve a ascensão de bactérias da vagina para o útero, frequentemente polimicrobiana, incluindo anaeróbios, Gram-negativos e Gram-positivos. O diagnóstico é clínico, baseado na tríade de febre, dor abdominal e sangramento vaginal com odor fétido, associado a história de abortamento. Exames complementares como hemograma, culturas e ultrassonografia transvaginal são úteis para confirmar a infecção e avaliar a presença de restos ovulares. O tratamento é multifacetado, incluindo estabilização hemodinâmica, antibioticoterapia de amplo espectro e esvaziamento uterino (curetagem ou aspiração) quando houver restos ovulares. A combinação de Clindamicina e Gentamicina é um esquema empírico comum e eficaz, cobrindo a maioria dos patógenos envolvidos. O prognóstico melhora significativamente com o diagnóstico precoce e tratamento agressivo.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de um aborto séptico?

Os sinais e sintomas incluem febre, dor abdominal intensa, sangramento vaginal com odor fétido, taquicardia, hipotensão e, ao exame especular, colo uterino aberto com secreção purulenta.

Por que a combinação de Clindamicina e Gentamicina é indicada para aborto séptico?

A Clindamicina cobre eficazmente bactérias anaeróbias, comuns em infecções pélvicas, enquanto a Gentamicina é um aminoglicosídeo com excelente cobertura para bactérias Gram-negativas, proporcionando um amplo espectro para o tratamento empírico.

Qual a importância da ultrassonografia transvaginal no diagnóstico de aborto séptico?

A ultrassonografia transvaginal pode evidenciar espessamento endometrial, restos ovulares, gás intrauterino ou coleções pélvicas, auxiliando na confirmação da infecção e na avaliação da necessidade de esvaziamento uterino.

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