UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2019
Primigesta de 16 anos apresenta dor abdominal e febre há 1 dia. Refere atraso menstrual. Exame físico: REG, PA 110 x 60 mmHg, FC 110 bpm, temperatura axilar de 38,3 °C, abdome plano, depressível, doloroso em região de hipogástrio. Exame ginecológico: colo pérvio 2 cm, doloroso à palpação, presença de secreção fétida. Exames laboratoriais: hematócrito – 32%, hemoglobina – 10,9 g/dL, plaquetas – 155 mil/mm³, glóbulos brancos – 21 mil/mm³, presença de bastões; urina tipo I – normal; teste de gravidez – positivo. O diagnóstico e a conduta são:
Primigesta com atraso menstrual, febre, dor abdominal, colo pérvio e secreção fétida + teste de gravidez positivo = Aborto Séptico.
A presença de febre, dor abdominal, secreção fétida e colo pérvio em uma gestante com atraso menstrual e teste positivo é altamente sugestiva de aborto séptico, uma emergência ginecológica que exige antibioticoterapia e esvaziamento uterino.
O aborto séptico é uma complicação grave e potencialmente fatal de um abortamento, caracterizado pela infecção do útero e, por vezes, de estruturas adjacentes, podendo evoluir para sepse e choque séptico. Sua incidência é maior em abortos inseguros. A apresentação clínica típica inclui febre, dor abdominal intensa, sangramento vaginal, secreção vaginal fétida e sinais de toxemia. O diagnóstico é clínico, baseado na história de atraso menstrual e abortamento, associado a sinais de infecção sistêmica e local. Exames laboratoriais frequentemente revelam leucocitose com desvio à esquerda e anemia. É fundamental diferenciar de outras condições como aborto incompleto sem infecção, gravidez ectópica rota ou doença inflamatória pélvica. O teste de gravidez positivo é crucial para o diagnóstico diferencial. A conduta é uma emergência médica. Consiste na estabilização hemodinâmica da paciente, início imediato de antibioticoterapia de amplo espectro (geralmente cobrindo anaeróbios e gram-negativos) e esvaziamento uterino para remover o material infectado. A curetagem uterina ou aspiração manual intrauterina (AMIU) são os procedimentos mais comuns. O atraso no tratamento pode levar a complicações graves como peritonite, choque séptico, falência de múltiplos órgãos e morte.
Os sinais e sintomas incluem febre, dor abdominal, sangramento vaginal, secreção vaginal fétida, taquicardia, hipotensão e, ao exame ginecológico, colo pérvio e dor à mobilização do colo.
A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica, início imediato de antibioticoterapia de amplo espectro e esvaziamento uterino (geralmente por curetagem ou aspiração manual intrauterina) após a estabilização.
O aborto séptico ocorre em contexto de gestação (com atraso menstrual e teste positivo) e abortamento, enquanto a DIP geralmente afeta mulheres não grávidas e está associada a infecções sexualmente transmissíveis. Ambos podem cursar com dor pélvica e febre.
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