Aborto Retido > 12 Semanas: Conduta e Manejo Clínico

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2026

Enunciado

Gestante, 28 anos, G3 P2 (partos por via vaginal), sem comorbidades. Está em sua primeira consulta na Unidade Básica de Saúde, assintomática, relatando um atraso menstrual de 18 semanas. Foi realizado ultrassom endovaginal onde foi observado feto com idade gestacional compatível com 13 semanas e ausência de batimentos cardíacos. A melhor conduta para esta paciente é:

Alternativas

  1. A) Aguardar expulsão fetal espontaneamente.
  2. B) Aspiração Manual Intrauterina (AMIU) e ocitocina.
  3. C) Curetagem uterina após expulsão fetal com misoprostol.
  4. D) Ocitocina por via endovenosa e curetagem uterina após expulsão fetal.

Pérola Clínica

IG > 12 sem + óbito fetal → Misoprostol para preparo cervical antes do esvaziamento cirúrgico.

Resumo-Chave

Em gestações acima de 12 semanas com óbito fetal (aborto retido tardio), o colo uterino geralmente está fechado. A indução com misoprostol é necessária para amadurecimento cervical, facilitando a expulsão ou o procedimento cirúrgico subsequente.

Contexto Educacional

O abortamento retido é definido pela morte embrionária ou fetal antes de 20-22 semanas, sem a eliminação de tecidos e com colo uterino fechado. O manejo depende fundamentalmente da idade gestacional. Até 12 semanas, métodos como AMIU são padrão-ouro. Após 12 semanas, a ossificação fetal e o tamanho do concepto impedem o esvaziamento simples sem preparo. A legislação e os protocolos do Ministério da Saúde orientam o uso de prostaglandinas para induzir o abortamento em ambiente hospitalar, seguido de revisão uterina se necessário. Este caso clínico ilustra a transição entre o primeiro e o segundo trimestre, onde a segurança da paciente depende do amadurecimento cervical prévio a qualquer manobra instrumental.

Perguntas Frequentes

Por que usar misoprostol antes da curetagem no aborto retido de 13 semanas?

Em gestações que ultrapassam o primeiro trimestre (geralmente > 12 semanas), o volume fetal e o tônus cervical tornam a curetagem direta ou a AMIU procedimentos de alto risco para perfuração uterina e laceração cervical. O misoprostol, um análogo da prostaglandina E1, promove o apagamento e a dilatação do colo uterino, além de estimular contrações miometrais. Isso permite que o feto seja expulso espontaneamente ou que o colo esteja suficientemente dilatado para um procedimento cirúrgico seguro, reduzindo complicações hemorrágicas e traumáticas.

Qual a diferença de conduta entre aborto retido < 12 semanas e > 12 semanas?

No aborto retido precoce (< 12 semanas), o esvaziamento por AMIU ou curetagem pode ser realizado de forma imediata ou após preparo cervical curto. Já no aborto tardio (> 12 semanas), a conduta preferencial inicia-se com o esvaziamento farmacológico (misoprostol). A curetagem é reservada para após a expulsão fetal, visando a retirada de restos placentários, pois o feto de 13 semanas ou mais não passa pela cânula de AMIU ou cureta sem dilatação prévia significativa e fragmentação, o que não é recomendado.

A conduta expectante é segura no aborto retido de 13 semanas?

Embora a conduta expectante possa ser discutida em abortos muito precoces, em gestações de 13 semanas o risco de coagulopatia (como a CIVD por retenção de feto morto) e infecção aumenta com o tempo de permanência do material ovular. Além disso, a ansiedade materna e o risco de hemorragia imprevisível em domicílio tornam a intervenção farmacológica com misoprostol a escolha mais segura e controlada em ambiente hospitalar para garantir o esvaziamento completo.

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