HE Cachoeiro - Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim (ES) — Prova 2020
Paciente de 22 anos, primigesta, comparece sem queixas para atendimento em unidade básica de saúde. Apresenta ultrassonografia realizada no dia anterior evidenciando gestação interrompida com 10 semanas pela biometria - embrião visualizado sem atividade cardíaca presente. Ao exame clínico, a paciente se apresenta sem dor, sem sangramento vaginal e com colo uterino fechado. Sobre o caso descrito, assinale a alternativa que apresenta a MELHOR CONDUTA a ser adotada para essa paciente.
Aborto retido assintomático, estável → Manejo expectante é opção. Sempre tipagem sanguínea e anti-D se Rh-.
Em casos de aborto retido (gestação interrompida sem expulsão espontânea), em paciente estável, assintomática e com colo uterino fechado, o manejo expectante é uma opção válida. É crucial, antes de qualquer conduta, realizar a tipagem sanguínea e, se a paciente for Rh negativa, administrar imunoglobulina anti-D para prevenir a aloimunização Rh em gestações futuras.
O aborto retido, ou gestação interrompida, é uma condição comum na prática obstétrica, onde o embrião ou feto morre intraútero, mas não é expelido espontaneamente. É um evento de grande impacto emocional para a paciente e sua família. Para estudantes e residentes, é fundamental conhecer as diferentes abordagens de manejo, priorizando a segurança e o bem-estar da mulher. A epidemiologia mostra que cerca de 10-20% das gestações clinicamente reconhecidas resultam em aborto espontâneo, e uma parcela significativa desses são abortos retidos. O diagnóstico de aborto retido é feito por ultrassonografia, que evidencia um embrião ou feto sem atividade cardíaca, ou um saco gestacional vazio, em uma idade gestacional em que a visualização desses elementos seria esperada. Clinicamente, a paciente pode estar assintomática, como no caso descrito, ou apresentar sangramento vaginal discreto. A fisiopatologia envolve a interrupção do desenvolvimento embrionário ou fetal por diversas causas (genéticas, hormonais, infecciosas), seguida pela falha do corpo materno em reconhecer e expelir o conteúdo uterino imediatamente. As opções de tratamento incluem o manejo expectante, o manejo medicamentoso (com misoprostol) e o manejo cirúrgico (AMIU ou curetagem). Para pacientes estáveis, assintomáticas e com colo uterino fechado, o manejo expectante é uma opção segura e eficaz, especialmente em gestações mais precoces, evitando procedimentos invasivos desnecessários. Independentemente da conduta escolhida, a tipagem sanguínea e a administração de imunoglobulina anti-D para pacientes Rh negativas são passos cruciais para prevenir a aloimunização Rh e proteger futuras gestações. O aconselhamento e suporte psicológico são partes integrantes do cuidado, dada a natureza sensível da condição.
As opções de manejo para o aborto retido incluem o manejo expectante (aguardar a expulsão espontânea), o manejo medicamentoso (com misoprostol) e o manejo cirúrgico (aspiração manual intrauterina - AMIU ou curetagem uterina). A escolha depende da preferência da paciente, idade gestacional e estabilidade clínica.
A tipagem sanguínea é essencial para identificar pacientes Rh negativas. Nesses casos, a administração de imunoglobulina anti-D é crucial para prevenir a aloimunização Rh, que pode causar doença hemolítica do recém-nascido em gestações futuras, mesmo em abortos.
O manejo expectante é uma boa opção para pacientes com aborto retido que estão clinicamente estáveis, assintomáticas (sem dor ou sangramento intenso), com colo uterino fechado e que preferem essa abordagem. É mais eficaz em idades gestacionais menores e exige acompanhamento rigoroso.
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