Aborto Legal por Estupro: Conduta em Gestação Precoce

Fundhacre - Fundação Hospital Estadual do Acre — Prova 2021

Enunciado

Nulípara de 18 anos de idade sofreu estupro que resultou em gravidez. Traz boletim de ocorrência policial e solicitação de interrupção da gestação de 7 semanas. A idade gestacional pela ecografia é compatível com a data do estupro. A conduta recomendada para a interrupção é:

Alternativas

  1. A) Dilatação e curetagem sob anestesia geral.
  2. B) Aspiração intra-uterina sob bloqueio regional.
  3. C) Aspiração intra-uterina sob sedação e anestesia local.
  4. D) Dilatação e curetagem sob sedação.

Pérola Clínica

Interrupção legal gravidez < 12 semanas por estupro: AMIU sob sedação e anestesia local é a conduta preferencial e mais segura.

Resumo-Chave

No Brasil, a interrupção da gravidez é permitida em casos de estupro, risco de vida materno e anencefalia fetal. Para gestações precoces (até 12 semanas), a Aspiração Manual Intrauterina (AMIU) é o método de escolha, sendo mais seguro e menos invasivo que a curetagem, especialmente quando realizada sob sedação e anestesia local.

Contexto Educacional

A interrupção legal da gravidez no Brasil é um tema complexo, mas fundamental para a prática médica, especialmente em situações de violência sexual. A legislação brasileira permite o aborto em casos de estupro, risco de vida materno e anencefalia fetal, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal. É crucial que os profissionais de saúde estejam cientes dessas permissões e saibam como proceder de forma ética e segura. Para gestações precoces, como a de 7 semanas descrita, a Aspiração Manual Intrauterina (AMIU) é o método de escolha recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde do Brasil. A AMIU é um procedimento minimamente invasivo, que pode ser realizado sob sedação e anestesia local, oferecendo menor risco de complicações como perfuração uterina, infecção e formação de sinéquias intrauterinas (Síndrome de Asherman) em comparação com a dilatação e curetagem. A curetagem uterina, embora ainda utilizada, é considerada um método mais invasivo e com maior potencial de complicações, sendo geralmente reservada para situações específicas ou quando a AMIU não está disponível. A escolha do método e da anestesia deve sempre visar a segurança e o conforto da paciente, respeitando os protocolos clínicos e legais vigentes. O suporte psicológico e social à vítima de estupro é parte integrante e essencial do cuidado.

Perguntas Frequentes

Quais são as indicações legais para interrupção da gravidez no Brasil?

No Brasil, a interrupção da gravidez é legalmente permitida em três situações: gravidez resultante de estupro, risco de vida para a gestante e anencefalia fetal.

Qual a diferença entre AMIU e curetagem?

A AMIU (Aspiração Manual Intrauterina) utiliza uma seringa e cânulas para aspirar o conteúdo uterino, sendo menos invasiva. A curetagem envolve a raspagem do útero com uma cureta, com maior risco de complicações como perfuração e sinéquias.

Por que a AMIU é preferível em gestações precoces?

A AMIU é preferível em gestações precoces (até 12 semanas) por ser um procedimento mais rápido, seguro, com menor risco de complicações (perfuração uterina, infecção, sinéquias) e menor necessidade de anestesia geral, podendo ser feita com sedação e anestesia local.

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