UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2024
Paciente de 19 anos veio à Emergência por dor abdominal e sangramento. Relatou um abortamento espontâneo há 2 dias. À admissão, a temperatura era de 38,2 ºC, a pressão arterial de 90/60 mmHg e a frequência cardíaca de 110 bpm; o exame especular mostrou sangramento vaginal em pequena quantidade e odor fétido; o toque vaginal revelou colo uterino aberto, abdômen doloroso à palpação e útero de aproximadamente 12 semanas. O hemograma indicou 15.000 leucócitos/mm³ e 10% de bastões. À ultrassonografia, foram visualizados útero antevertido, com restos ovulares de aproximadamente 30 mm, além de ausência de feto ou partes ósseas. Com base no quadro, assinale a assertiva correta.
Aborto infectado → risco de sepse, CID, IRA, abscesso, histerectomia.
O quadro clínico de febre, taquicardia, hipotensão, sangramento fétido e restos ovulares após abortamento espontâneo é altamente sugestivo de aborto infectado ou séptico. Esta condição é grave e pode levar a complicações sistêmicas sérias, como coagulação intravascular disseminada (CID), insuficiência renal aguda (IRA) e necessidade de histerectomia.
O aborto infectado, também conhecido como aborto séptico, é uma complicação grave de abortamentos, seja espontâneo ou induzido, caracterizado pela infecção do conteúdo uterino e, frequentemente, disseminação sistêmica. É uma emergência médica que pode levar a morbidade e mortalidade significativas se não for prontamente reconhecida e tratada. A incidência é maior em contextos de abortos inseguros, mas pode ocorrer após abortos espontâneos. A fisiopatologia envolve a proliferação bacteriana no útero, geralmente polimicrobiana, que pode ascender e causar endometrite, parametrite e peritonite, culminando em sepse. O diagnóstico é clínico, baseado na tríade de febre, dor abdominal e sangramento vaginal com odor fétido, associado a achados como colo uterino aberto, útero doloroso e restos ovulares. Exames laboratoriais mostram leucocitose com desvio à esquerda. O tratamento é urgente e multifacetado: estabilização hemodinâmica com fluidos, antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro (cobrir gram-positivos, gram-negativos e anaeróbios) e esvaziamento uterino imediato após o início dos antibióticos para remover o foco da infecção. As complicações são graves e incluem sepse, choque séptico, coagulação intravascular disseminada (CID), insuficiência renal aguda (IRA), abscesso tubo-ovariano e, em casos extremos, histerectomia para controle da infecção.
Sinais de alerta incluem febre, dor abdominal intensa, sangramento vaginal com odor fétido, taquicardia, hipotensão e útero doloroso à palpação, além de leucocitose com desvio à esquerda.
A conduta imediata envolve internação hospitalar, estabilização hemodinâmica (reposição volêmica), coleta de culturas, início urgente de antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro e esvaziamento uterino o mais rápido possível após o início dos antibióticos.
O DIU é contraindicado após um aborto infectado devido ao risco aumentado de disseminação da infecção para o trato genital superior, podendo levar a doença inflamatória pélvica, abscesso tubo-ovariano e sepse.
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