UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2023
Paciente MSN, 23 anos, solteira, gesta 1 para 0 aborto-0, deu entrada na emergência obstétrica com relato de atraso menstrual de 10 semanas, dores pélvicas e abdominais em cólicas. Hipertermia, sangramento vaginal discreto acompanhado de saída de material purulento pelo canal vaginal. Útero doloroso à palpação. No toque vaginal, o colo uterino é pérvio doloroso à mobilização. No exame especular, observada saída de material purulento pelo canal cervical. O diagnóstico e tratamento corretos são:
Aborto + febre + dor + sangramento purulento + colo pérvio = Aborto infectado → ATB + Esvaziamento uterino.
O quadro clínico de atraso menstrual, dor pélvica, sangramento vaginal com material purulento, hipertermia e útero doloroso com colo pérvio é clássico de aborto infectado (ou séptico). A conduta primordial é a antibioticoterapia de amplo espectro seguida do esvaziamento uterino.
O aborto infectado, também conhecido como abortamento séptico, é uma complicação grave de abortos espontâneos ou induzidos, caracterizado pela presença de infecção no útero e, potencialmente, disseminação sistêmica. É uma emergência ginecológica que pode levar a sepse, choque séptico, falência de múltiplos órgãos e morte se não for prontamente diagnosticado e tratado. A etiologia geralmente envolve a ascensão de bactérias da flora vaginal para o útero, especialmente na presença de restos ovulares. O diagnóstico é clínico e se baseia em sintomas como febre, dor abdominal e pélvica, sangramento vaginal com odor fétido ou material purulento, e útero doloroso à palpação com colo uterino pérvio. Exames laboratoriais podem mostrar leucocitose e aumento de marcadores inflamatórios. A ultrassonografia transvaginal é fundamental para identificar a presença de restos ovulares no útero. O tratamento é uma combinação de antibioticoterapia de amplo espectro, iniciada imediatamente, e esvaziamento uterino para remover a fonte da infecção. O esvaziamento pode ser realizado por aspiração manual intrauterina (AMIU) ou curetagem uterina, dependendo da disponibilidade e experiência. A histerectomia é reservada para casos de infecção refratária ou necrose uterina. O manejo precoce e agressivo é vital para prevenir complicações graves.
Os principais sinais incluem febre, dor abdominal intensa, sangramento vaginal com odor fétido ou material purulento, taquicardia, e útero doloroso à palpação com colo uterino pérvio.
O esvaziamento uterino é crucial para remover os restos ovulares, que servem como meio de cultura para bactérias, sendo a fonte da infecção. Ele deve ser realizado após o início da antibioticoterapia.
A antibioticoterapia deve ser de amplo espectro, cobrindo bactérias aeróbias e anaeróbias. Esquemas comuns incluem Clindamicina + Gentamicina ou Ampicilina/Sulbactam.
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